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Com 30 anos, álbuns do rock nacional permanecem atuais; músicos comentam

Guilherme Bryan
Colaboração para o UOL

30/05/201606h00

  • Capa dos discos do rock nacional lançados em 1986 que permanecem atuais

    Capa dos discos do rock nacional lançados em 1986 que permanecem atuais

O que há em comum entre os álbuns “Selvagem?“, dos Paralamas do Sucesso; “Cabeça Dinossauro“, dos Titãs; “Dois“, da Legião Urbana; “Rádio Pirata Ao Vivo“, do RPM; e “Longe Demais das Capitais“, dos Engenheiros do Hawaii?

Todos foram lançados há exatos 30 anos, em 1986, e permanecem atuais e influenciando artistas de diferentes gerações e dos mais variados estilos. Eles também indicavam novos caminhos para o rock brasileiro e mostravam que este estava muito vivo um ano após o primeiro Rock in Rio, o grande festival de música da década no Brasil.

“Este foi um ano que viu lançamentos importantes e estes se viabilizaram comercialmente graças ao Plano Cruzado”, garante o jornalista Arthur Dapieve, autor do livro “BRock: O rock brasileiro dos anos 80”. O tal plano foi um conjunto de medidas econômicas lançado em 28 de fevereiro pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro, no governo do presidente José Sarney, que, nos primeiros meses, provocou uma intensa onda de consumismo no país.

Discos nacionais que foram lançados em 1986

Reprodução

Capa do disco “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs

Produzido por Liminha, Pena Schmidt e Vitor Farias, com imagens de Leonardo da Vinci na capa, “Cabeça Dinossauro” foi o terceiro álbum dos Titãs, marcou um amadurecimento da banda em estúdio – pela primeira vez os rapazes garantiam que haviam encontrado ali o mesmo resultado visceral que obtinham nos palcos – e foi resultante da prisão, no final de 1985, de Arnaldo Antunes e Tony Bellotto por porte de heroína.

Com direito a canções hardcore, como “A face do destruidor”, e poesia concretista, “O que”, o disco representa um ataque a instituições como a família, o Estado e a polícia, entre outras. E, se num primeiro momento as canções encontraram restrições nas rádios e televisões, caso de “Bichos Escrotos”, por conta de “vão se fuder”, que chegou a ter seu som apagado, rapidamente o LP tornou-se um importante e emblemático marco do rock nacional.

Inúmeros garotos, que adoravam um som mais pesado do que o que os Titãs fizeram nos dois primeiros álbuns, se viram maravilhados com um disco que misturava vários estilos e tinha canções agressivas como “Polícia”. Entre eles, estava o paulista de São Bernardo do Campo, Andreas Kisser, então com 18 anos e que em muito em breve se tornaria guitarrista da mais importante banda de metal do país, Sepultura, que regravou justamente essa música no álbum “Chaos AD”, de 1993. No ano seguinte, Titãs e Sepultura dividiriam o palco do festival Hollywood Rock para tocarem a faixa ao vivo.
“Eu escutei o ‘Cabeça’ com um amigo. Na época, eu era bem radical. Só escutava heavy metal, mas quando o escutei, comecei a ouvir coisas boas e com atitude em outros estilos. Posso dizer, então, que esse disco me deixou menos radical e me fez respeitar outros estilos”, comenta o guitarrista que tocou com os Titãs o álbum na íntegra num show em Santos (SP). “O ‘Cabeça’ é uma obra prima e até hoje quando escuto me dá uma sensação boa, nova. Ele ainda é muito atual. Não só nas letras, mas na sonoridade também”, acrescenta. E agradece: “Muito obrigado Titãs e Liminha por este disco maravilhoso que mudou a minha vida com certeza e para melhor. Ele é essencial para qualquer amante da música. Longa vida ao ‘Cabeça'”.
Divulgação

Capa do disco “Selvagem?”, dos Paralamas

Também produzido por Liminha, “Selvagem?” é o terceiro álbum de estúdio da banda carioca/brasiliense Paralamas do Sucesso, que, um ano antes, havia se consagrado no Rock in Rio, o que resultou numa intensa excursão pelo país, divulgando o badalado disco “O Passo do Lui”, que emplacou vários hits nas rádios, mas, de certo modo, não desassociou a imagem do power trio dos britânicos Police, banda liderada por Sting.

A grande exposição só terminou quando o baterista João Barone sofreu um acidente automobilístico, que lhe deixou a perna esquerda fraturada.

O vocalista Herbert Vianna e o baixista Bi Ribeiro instalaram-se, então, com uma bateria eletrônica e um gravador de quatro canais na casa da vovó Ondina (tema de uma canção do primeiro disco da banda). A partir da audição de um disco de reggae, Herbert recordou-se de um riff de baixo e compôs “Alagados”, que, no início, lhe trouxe vergonha por considerar “samba demais”, mas depois tornou-se um dos maiores sucessos da carreira dos Paralamas e que, junto com “A Novidade”, parceria com Gilberto Gil, fez com que “Selvagem?” ultrapassasse a marca de um milhão de cópias vendidas.

Também tocaram muito a regravação de “Você”, clássico do Tim Maia e que entrou na trilha sonora da novela “Roda de Fogo”, e “Melô do Marinheiro”, uma das duas canções compostas apenas por Bi Ribeiro e João Barone, e cantada pelo segundo.

Um dos jovens que rapidamente se sentiu estimulado pelo novo álbum dos Paralamas do Sucesso foi Pedro Luís, então integrante da banda punk Urge e que se tornaria conhecido já nos anos 2000, graças aos grupos Monobloco e Pedro Luís e a Parede, que, aliás, regravou a canção “Selvagem?”.

“Já havíamos, eu e a Parede, experimentado ela ao vivo, em um show acústico que fizemos no saudoso Hipódromo UP, no Rio. Quando fomos gravar nosso DVD no Circo Voador e convidamos o Herbert, veio de imediato a ideia de resgatar a canção e, nesse caso, já com a diferença de estar colada em uma canção minha, ‘Chuva de Bala’, e vir também definida por uma grande sonoridade percussiva, diferente da versão original, em power trio”, conta Pedro Luís.

“Acho que ali Herbert, Barone e Bi se aproximam de uma maneira curiosa e instigada de elementos mais reconhecidos pelo público em geral como ‘brasileiros’ e também firma parceria com o que se chama de MPB, aqui definida pela canção ‘A Novidade’, de Herbert e Gil, que já nasce um clássico. É um encontro brilhante e definitivo para a história fonográfica nacional”, avalia. “Acho que as incursões por temas de cunho político também fazem a diferença e, quando se vive um impasse político, como o que estamos vendo agora, muitos desses temas se atualizam automaticamente”, finaliza.

Divulgação

A capa de “Selvagem?” foi criada por Ricardo Leite e mostra o irmão do baixista Bi Ribeiro, Pedro Ribeiro, em um acampamento numa área de cerrado na capital federal, Brasília, de onde vinha outro álbum importante daquele ano – “Dois“, da Legião Urbana, produzido por Mayrton Bahia e com direção artística de Jorge Davidson.
O álbum começava simulando alguém “passeando” pelo dial de um rádio, que passasse pela música “Será”, a primeira do disco anterior, e chegasse em “Daniel na Cova dos Leões”, a primeira do novo. Era a abertura para o desfile de vários hits imediatos que alçaram a banda a uma das mais vendidas – chegou  a 800 mil cópias –, tocadas e amadas do país. Entre elas, “Eduardo e Mônica”, “Tempo Perdido”, “Música Urbana 2” (dos tempos de Aborto Elétrico), “Índios” e “Quase Sem Querer”.

Esta última canção recebeu décadas depois uma regravação, só com voz e violão, da cantora Maria Gadú, feita especialmente para o filme “Desenrola” (2011), de Rosana Svartman, e que depois tornou-se também tema da “Malhação”.

“A diferença entre as duas gravações é abissal. Não sei nem como comparar a versão original do Renato Russo e a minha pequena contribuição para essa música, a qual eu sempre tocava nos shows. Alguém, anos atrás, viu e me chamou para gravar essa versão para o filme. Foi uma encomenda, mas que nasceu de uma apresentação de voz e violão”, comenta a cantora, que não se lembra ao certo quando ouviu o álbum “Dois”, da Legião Urbana, mas garante que foi muito tempo depois do lançamento e junto com todos os outros da banda. “Esse disco é muito icônico. É tanto que eu nem sei falar”, assegura.

Divulgação

Capa do disco “Longe Demais das Capitais”, do Engenheiros do Hawaii

Outra banda que chegava ao estrelato vinda de longe do eixo Rio-São Paulo era a gaúcha Engenheiros do Hawaii, liderada por Humberto Gessinger e que havia se destacado no pau-de-sebo (tinha esse nome pois só sobreviviam aquelas que chegassem mais alto nas paradas de sucesso) “Rock Grande do Sul”, com as canções “Sopa de Letrinhas” e “Segurança”.

Foi o suficiente para, em novembro de 1986, os garotos lançarem o primeiro LP, “Longe Demais das Capitais“, que vendeu 50 mil cópias apenas na primeira semana de lojas – número que quase triplicou. Ali estavam, além dos dois sucessos da coletânea e da faixa-título,

“Toda forma de poder”, que entrou na trilha sonora da novela “Hipertensão”. Essa era a canção preferida de garotos como Marcelo Gross, que, anos mais tarde, se tornaria vocalista e guitarrista da banda gaúcha Cachorro Grande. “A que mais gosto é aquela que diz ‘eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada…’. Isso dizia muito para um adolescente rebelde de 13 anos numa época de reviravolta política”, garante.

Tratava-se de uma abertura nacional não só para a banda, mas também para vários grupos conterrâneos que se sentiam longe demais das capitais. Não é à toa que até hoje muitos gaúchos tem aquele álbum como um verdadeiro divisor de águas, como indica Marcelo Gross. “Das bandas que tínhamos no sul na época, eles eram quem tinham a verve pop mais definida e estavam mais preparados para invadir as FMs tanto de lá como do resto do país”, observa. Para ele, o próprio título já é bastante indicativo de algo que é vivido até hoje, mas era mais intenso na época pré-Internet. “Eles foram os primeiros e abriram as portas para muita gente. Poucas bandas conseguiram derrubar essa barreira e menos bandas ainda permaneceram nesse circuito”, complementa.
Engenheiros do Hawaii e Cachorro Grande se apresentaram algumas vezes no mesmo palco e na mesma noite. “Sempre foi legal dividir o palco com eles. O alemão é um queridão e é sempre bom trocar uma ideia com ele. Sabe muito! Mas nunca chegamos a tocar juntos. Mas nunca é tarde para isso acontecer. Eu adoraria e seria uma oportunidade para aprender algo com aquele alemão guasca gremista!”, torce.
Divulgação

Capa do disco “Rádio Pirata – Ao Vivo”, do RPM

Mas nenhum álbum do rock nacional dos anos 80 vendeu mais do que “Rádio Pirata Ao Vivo“, que saiu com 250 mil cópias vendidas antecipadamente e ultrapassou a marca de 2,5 milhões.

Registro de dois shows realizados no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, o disco foi fruto da pressão gerada por uma versão pirata – nada mais condizente para uma banda que levantava a bandeira da rádio pirata – da regravação de “London London” que foi gravada no Festival Atlântida Rock Sul, realizado em outubro no Gigantinho, em Porto Alegre, e atingiu em cheio diferentes emissoras do país.

A gravadora CBS ficou enlouquecida e tratou de exigir que a banda colocasse a versão ao vivo em disco para agradar aos milhões de fãs ávidos por ela.

Estavam ali os hits “Revoluções Por Minuto”, “A Cruz e a Espada”, “Olhar 43” e “Rádio Pirata”, com a inclusão da incidental “Light My Fire”, do Doors.

De novidade, além da canção de Caetano Veloso composta no exílio londrino, a regravação de “Flores Astrais”, sucesso da banda Secos & Molhados, de Ney Matogrosso, diretor do show do RPM, e as inéditas “Alvorada Voraz” e a instrumental “Naja”. Foi um sucesso tão avassalador que atingiu as diferentes faixas etárias e classes sociais, gerando uma espécie de beatlemania à brasileira.

Um dos atingidos por aquele fenômeno sem precedentes no rock nacional foi o garotinho Vinicius Fernando Karlinke, então com 6 anos e que, anos mais tarde, formaria a dupla sertaneja João Bosco & Vinicius. Nascido em Naviraí, no Mato Grosso do Sul, ele se lembra de ter ficado encantado ao ouvir “Olhar 43” nos programas de televisão. “Foi uma das primeiras bandas a trazer um som mais agressivo, não digo em letras, mas em suas apresentações, no sentido de enaltecer os solos de guitarra e as batidas fortes. As canções eram muito vibrantes e as pessoas se identificavam de imediato”, conta.

No DVD e CD “Coração Apaixonou – Ao Vivo”, de 2010, a dupla regravou “A Cruz e a Espada”. “Essa música foi sugerida na época pelo Serginho Bittencourt, diretor da nossa antiga gravadora. Nós ouvimos e gostamos muito da letra e da melodia. A maior diferença entre a versão original e a nossa é que criamos um arranjo mais voltado para o nosso estilo musical e com uma levada mais dançante”, avalia.

Portanto, depois de 1986, o rock brasileiro nunca mais seria o mesmo e suas influências podem ser sentidas até hoje nos mais diferentes estilos. E para quem acha que apenas esses cinco álbuns foram lançados naquele ano, está muito enganado. Foi também quando Capital Inicial lançou seu primeiro disco, o Ira! veio com o segundo, “Vivendo e Não Aprendendo”, Marina Lima emplacou “Todas Ao Vivo“, Lobão gritou que “O Rock Errou” e o Barão Vermelho seguiu carreira sem Cazuza e com Roberto Frejat nos vocais, em “Declare Guerra“.

TOP 10
LANNY ONDE, LANNY QUAL?

Por Roberto Iwai


Uma exposição dedicada à Tropicália em Londres vai reunir pela primeira vez em 33 anos no mesmo palco os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista, do grupo Mutantes.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo centro cultural Barbican, que está promovendo a mostra sobre a Tropicália.

Outra atração vai ser o show de Gal Costa, no dia 28 de abril. Vai ser a primeira vez em 30 anos que ela se apresenta com dois músicos que tiveram grande destaque nos seus primeiros álbuns: o guitarrista Lanny Gordin e o baterista Tuti Moreno.

Fonte: BBC Brasil


E no Brasil? Nada? Que vergonha…

Top 10 para conhecer Lanny Gordin. Seus momentos mais efervescentes e suas participações mais anônimas.


10. Anamaria e Mauricio – No, No, No, Estamos Na Nossa
(No, No, No… Estamos Na Nossa/1970)

Lanny é recrutado para participar deste disco de Anamaria e Mauricio, com sonoridade mista entre bossa nova e soul. Nesta canção prá frente da dupla, Gordin utiliza, para variar, seu belo lado jazzy, mas não sem soltar acordes que teimam duelar mais incomuns do que a levada de piano bêbada do Jongo Trio, banda que acompanha o disco. Claro que não resiste e mete um fuzz bem no finalzinho da faixa.

09. Tom Zé – Irene
(compacto/1971)

Em 1969, Lanny já havia registrado a versão original de “Irene” de Caetano Veloso com o próprio. Lá, era qualquer alegria de sol de Salvador mesclado com a melancolia movida pelo exílio de Veloso e Gil. Em 1971 não. Acompanhado pelas idéias de Rogério Duprat e Tom Zé, como o piano preparado (piano com pedaços de borracha em meio a suas cordas para obter som percussivo, baseado nas idéias de John Cage), Gordin registra uma selvagem guitarra em meio a um dos instrumentais mais densos que Tom Zé já gravara em sua vida (com acompanhamento dos Beatniks). Somado à interpretação doentia de Zé, a risada de Irene acaba se transmutando em um lindo ato psicótico.

08. Gilberto Gil – Back In Bahia
(Expresso 2222/1972)

Ao lado de Gilberto Gil, Lanny Gordin registrou muitos dos seus mais intensos solos, passagens e riffs em 1969, vertendo a hard-psychedelia em tropicalismo desencadeado. Em 1972, com o retorno de Gil ao Brasil após o exílio, o cantor chama Gordin para registrar novamente todas as guitarras, dessa vez no disco Expresso 2222. “Back In Bahia” é um dos maiores sucessos de Gil, freqüentemente usado em alguma trilha sonora sobre os anos 70 ou sobre a Bahia. É Lanny Gordin no inconsciente dos que desconhecem.

07. Tim Maia – Paz
(compacto/1971)

Sim, Lanny já gravou com o gordo que mais adorava um bauret e os técnicos de som desse país. É curioso ver Gordin em uma roupagem mais convencional, atrás da voz de Maia e de uma bruta orquestração digna de música ambiente de novela. Mas toda a linha mais inclinada para o jazz de Lanny estava lá, aparecendo vez e outra.

06. Brazilian Octopus – As Borboletas
(Brazilian Octopus/1969)

A bela banda de Hermeto Pascoal e cia. se inicia em um suave clima jazz, até o harmônico wah-wah de Lanny adentrar a canção quase como um deboche musical. Apesar de curto, é um dos momentos mais poéticos da guitarra de Lanny Gordin, servindo como uma textura ácida em meio ao pano de fundo suave da canção.

05. Caetano Veloso – De Cara/Eu Quero Essa Mulher
(Araçá Azul/1972)

O disco onde Caetano Veloso queria provar ao mundo que poderia seguir viagem sem o auxílio de Lanny. Abusando de poesia concreta e colagens de som, o maior momento do disco mesmo é a única faixa onde Gordin participa. Uma das suas raras composições, “De Cara” traz o guitarrista imerso e voando pesado no instrumental de Tuti Moreno (bateria) e Moacyr Albuquerque (baixo), até Veloso espivetar na versão de “Eu Quero Essa Mulher”, de Monsueto. Essa música marca o triste fim das participações de Gordin com os tropicalistas.

04. Jards Macalé – Favela
(O Q Eu Faço é Música/1998)

Em 1972 Lanny registrava todos os violões e baixos do disco de estréia de Macalé. Quase três décadas depois, Gordin mostrava que ainda continuava vivo, ignorando os contratempos e o esquecimento. “Favela” é um bonito samba das antigas, com um piano denso e a voz cavernosa de Jards. Lanny entra no meio da faixa, mais estridente do que nunca. Retorno nos anos 90 que iria culminar nos belos trabalhos que Lanny lançaria em 2004, ao lado do Projeto Alfa.

03. Suely & Os Kantikus – Esperanto
(compacto/1968)

Um dos momentos mais radicais de Lanny, com alta guitarra fuzz. Corrompendo a letra surreal de Richard Carasso e a suave voz de Suely Chagas, Gordin usa um simples conjunto de acordes para expressar uma das pedradas mais bem resolvidas do obscuro beat garageiro nacional.

02. Rita Lee – Eu Vou Me Salvar
(Build Up/1970)

Neste disco, o primeiro solo de Rita Lee, a banda toda parece estar tocando por pura diversão. Musicando receitas culinárias, emulando temas havaianos e de bordel, e endiabrando Beatles. “Eu Vou Me Salvar” é o total desbunde disso tudo, fechando o disco com um mantra (“Eu vou me salvar/Vou pegar as leis do todo poderoso/E pra sempre cantar/Aleluia”), naquele religiosidade peralta que Os Mutantes sempre tiveram. Lanny inicia acompanhando os agudos de Rita com sua guitarra, descambando para um belo solo e emendando com um emaranhado de sons tirados do instrumento como se estivesse reclamando como um velho caduco em um baião perneta.

01. Gal Costa – Deixa Sangrar
(Legal/1970)

Carnaval, só se for com Lanny Gordin. Essa marchinha seria algo bem característico das afetações carnavalescas de Caetano Veloso, caso não fosse a guitarra de Gordin. Em um de seus momentos mais à vontade, Lanny registra tensões prazerosas lisérgicas. Em uma guitarra, marca a levada saltitante, e na outra, estoura as barreiras de qualquer outro som estridente, que se torna pura bobagem. Fuzz e wah-wah resmungam por absolutamente toda a faixa, onde guitarra se torna em muitas e muitas vezes mais alta do que tudo tocado na música. Vide o momento dos 57 segundos da mesma. No final, Lanny começa a imitar patos em alguma discussão cujo tema aqui não importa...

25 anos da morte de Raul Seixas: um artista reduzido a um bordão

Combate Rock

05/08/2014 06:37

Marcelo Moreira

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A essência do rock nacional pode ser resumida apenas a um bordão. Ou melhor, o artista que simboliza o rock brasileiro ficou reduzido a um bordão. Por uma dessas injustiças históricas que às vezes abalroam um mito, o famigerado e inacreditável “Toca Rauuuuullll” que se ouve em bares e em shows, em tom de chacota, a cada dia se torna mais forte, a ponto de, em alguns momentos, suplantar a importância de Raul Seixas, que morreu há 25 anos em São Paulo. Não há como negar: a chatice do bordão, tornando-o insuportável e pejorativo, colou no artista de uma forma desagradável. Raul Seixas não merecia isso.

A coisa é tão complicada que, dependendo da situação, o pedido de “Toca Raul” provoca brigas e confusões, como narrei anos atrás o que ocorreu em um bar na região de Campinas, quando um bêbado encheu tanto a paciência da banda que estava no palco que provocou uma briga generalizada.

O mito superou a realidade? O bordão faz justiça à carreira do cantor baiano? Na verdade, isso tudo faz alguma diferença? Amado a ponto de ser considerado messias por uns, e contestado por outros, considerado um artista superestimado e superdimensionado por outros, Raul Seixas conseguiu o que só roqueiros ingleses e americanos obtiveram: tornou-se um símbolo de um gênero musical no Brasil.

Não é possível falar de rock por aqui sem lembrar de Raul, tamanha a a sua onipresença – para o bem e para o mal. Diante da fragilidade do gênero musical no Brasil, em especial nos anos 60 e 70, e da falta de verdadeiros concorrentes à altura, ficou fácil para o cantor baiano tomar conta de tudo – só Rita Lee era capaz de rivalizar com ele.

Mutantes e Secos & Molhados? Não tiveram metade do carisma e da presença artística do cantor baiano. Falta de competência da concorrência? Pode ser, mas isso não era problema de Raul, que teve os seus méritos para aglutinar a cativar a aura mítica de messias e de gênio, ainda que não o fosse. Em terra arrasada, qualquer vestígio de competência é um grande impulso para o estrelato eterno.

Culpa de Raul? Sim, por ter demonstrado competência e e inteligência em um mercado que quase nunca soube entender o que era rock, o seu poder e o seu significado. Mesmo a aproximação frequente com artistas da MPB não foi suficiente para nublar a postura e a imagem que ele assumiu para si: a do roqueiro esperto, malandro, inteligente, astuto e ousado, com pitadas de maluquice beleza.

Sua relevância pode ser medida pela escolha de Bruce Springsteen quando tocou no Brasil n ano passado: o cantor e guitarrista norte-americano, em cada país onde tocou em sua turnê mundial, abria os shows com uma música importante de um artista importante do país local. Nos shows de São Paulo e no Rock in Rio 2013, abriu suas apresentações com “Sociedade Alternativa”, um hit de Raul Seixas.

Ninguém melhor do que ele fez isso no Brasil, e nada mais justo do que Raulzito se tornar sinônimo de rock nacional no Brasil – para o bem e para o mal, seja pelo pioneirismo , seja pela esperteza ou mesmo inteligência mercadológica. Esses méritos são indiscutíveis, mesmo que tenha dado origem a um messianismo insuportável e a uma deificação injustificável.

Raul Seixas nos primórdios de sua carreira (Foto: Ivan Cardoso/Divulgação)

Legado incontestável, obra nem tanto

Músico razoável e cantor nem tanto, Raul Seixas teve o grande mérito de cair de cabeça no rock and roll primeiro do que todo mundo neste país tropical e de avançar até onde nenhum artista brasileiro na época ousou.

 Seixas era radical e culto, tinha estofo para se mostrar contestador sem ser revolucionário. Tinha jeito e coragem (ou inconsequência) para ser provocador como Chico Buarque foi em algumas de suas letras.

Se os Secos & Molhados chocavam e posavam de transgressores por conta das maquiagens e posturas de palco, Seixas e seu jeitão de hippie deslocado mostrava que ia muito mais além na transgressão com o mergulho fundo no rock e nos aditivos ilícitos – em vários momentos ao lado do amigo doidão e letrista ocasional Paulo Coelho.

O problema é que Raul Seixas foi o único a fazer isso, a fazer rock realmente em uma era dominada por uma música popular supostamente de protesto mas que pouco ou nada serviu de alento, ao menos culturalmente.

Era a mesma MPB engessada de sempre, calcada na canção e no samba, com ecos da bossa nova encardida e plagiada do jazz norte-americano e na farsa do Tropicalismo, envolto em pseudo-intelectualismo barato.

Raul foi muito mais além do que qualquer um em sua época, e tem méritos por isso. Se é que existiu alguma forma de transgressão nos anos 70, época de chumbo do regime militar, essa transgressão era Raul Seixas.

E o músico baiano teve a sorte grande de ter sido o único a fazer isso de forma tão intensa, e usou o rock, o melhor instrumento para esse tipo de transgressão (ou suposta transgressão). E grande parte de sua fama decorre justamente disso, da falta de concorrentes à altura.

Por conta disso, o mito Raul Seixas – artista radical, maldito, marginal – se sobrepõe à real qualidade de sua obra musical, que nunca passou de mediada. Sua melhor música é no máximo razoável. Ok, nunca foi a ambição dele, em termos musicais, de ser inovador, ambicioso ou ousado em demasia. Inovação não era com ele, e isso fica claro em sua obra.

O trabalho do cantor baiano, que  foi executivo de gravadora no começo dos aos 70, é milhões de vezes superior ao de qualquer artista que achava que fazia rock na época, como Secos & Molhados e os Mutantes, mas ainda assim não passava de razoável.

Suas músicas se tornaram trilha sonora da contracultura e de certa pseudointelectualidade de esquerda por ser palatável e adaptável aos lugares comuns dos discursinhos chatos e vazios de estudantes equivocados.

Também era a trilha sonora perfeita para ambientes pseudopolíticos infectos, como centros acadêmicos de faculdades – a maioria de quinta de categoria – e botecos de pinga nas proximidades das mesmas faculdades. E, com certeza, 85% dessa gente que se apropriou da obra de Raulzito ignorava por completo o significado das letras – e, dependendo da música, acho que até o próprio autor desconhecia.

Ainda que a importância da obra de Raul Seixas seja incontestável, assim como sua figura como símbolo máximo/sinônimo do rock brasileiro, em termos musicais não para constatar: é artista superestimado e cujo mito é muito maior do que a qualidade de sua obra. E o mito ainda tem mais força do que se imagina, pois ainda é capaz de impregnar duas gerações após a sua morte com “sua mensagem”.

Não creio que era esse o destino que o músico baiano imaginava para o seu legado: quase ser suplantado por um bordão e virar trilha sonora de gente equivocada e com pouca bagagem intelectual de um lado; de outro, de se tornar sinônimo de chatice e inconveniência com o bordão “Toca Raul!”.

Ele merecia isso? Eu achava que sim, por conta da chatice de muitas de suas músicas. Mudei de ideia: reavaliando, ele não merecia passar por isso, justamente porque, goste-se ou não (e eu não gosto que seja assim, a a vida é assim), ele se tornou sinônimo de rock brasileiro. Jamais poderia ter sido reduzido a um bordão. Quem sabe não seja por isso, entre tantas outras coisas, que o rock nacional tenha mergulhado em tamanho ostracismo?

No player abaixo, você escuta o programa Combate Rock sobre Raul Seixas. Clique para ouvir.

Tags : Raul Seixas

SOM IMAGINÁRIO – POR FREDERA

No início da década de 1970, em plena explosão do movimento que ficou conhecido como desbunde, surgiu uma banda de rock psicodélico e progressivo, o Som Imaginário, que se tornou um ícone daquela geração. Nascida de um projeto para acompanhar o cantor Milton Nascimento no show “Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário”, a banda trazia músicos incipientes e de genialidade criativa, que se revelaria nos ressoantes nomes de Zé Rodrix (vocal, órgão, flautas e percussão), Wagner Tiso (piano e órgão), Tavito (violão), Luiz Alves (baixo), Robertinho Silva (bateria) e Frederyko (guitarra), atualmente conhecido como Fredera; em sua composição mais tradicional. Outros nomes passaram pelo grupo: Laudir de Oliveira, Naná Vasconcelos, Novelli, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Paulinho Braga e Jamil Joanes. Irreverentes, atirados à psicodelia latente da música, ao mais autêntico conceito “flower power”, à vontade de subverter os costumes, sem a preocupação das ideologias vigentes, das imposições de um sistema que se construía sob uma ditadura militar, os rapazes cabeludos, de longas barbas, tinham além do talento genial, a sede de viver o momento na sua mais anárquica emoção, legando uma música criativa e inteligente. O fenômeno Som Imaginário foi rápido. Passou por várias formações, deixando três discos “Som Imaginário” (1970), “Som Imaginário” (1971, conhecido como “Nova Estrela”) e “Matança do Porco”, além de participações em discos de Milton Nascimento e Taiguara. Deixou no cenário musical brasileiro uma marca indelével, sendo hoje cultuados por uma geração que se não esquece das efervescências de um passado que parece ter sido ontem, mas que já lá se vão quatro décadas. Na comemoração dos quarenta anos do Som Imaginário, “Virtuália – O Manifesto Digital”, foi buscar a essência de um dos participantes, o irreverente Fredera, que gentilmente concedeu uma entrevista exclusiva. Polêmico, às vezes cru com a visão da época, Fredera não se deixa intimidar para falar o que pensa. Continua a ser aquele que subverte a palavra, os costumes e a verdade do que pensa, mesmo quando sabendo que pode atingir a mais dolorosa forma verbal no âmago da sua visão de vida. Viscerais são as palavras de Fredera, numa coragem de tirar o fôlego de quem as lê. Em um momento de perda, com a morte do Zé Rodrix em 2009, e que se faz quarenta anos da criação da banda, Fredera expõe de forma lancinante a sua visão do que foi uma das maiores e mais genial bandas de rock progressivo do cenário musical brasileiro.
Fredera, Exclusivo para o Virtuália
Frederico Mendonça de Oliveira, primeiro Frederyko, depois Fredera, músico, compositor, jornalista, pintor e escultor, é um desses personagens raros, cuja arte lhe aflora a alma nas mais variadas vertentes. Dono de um discurso inteligente, irreverente e às vezes cáustico, sabe como ninguém usar a palavra na sua mais perfeita concepção, causando o impacto verbal fulminante. Numa trajetória longa pela MPB, atuou ao lado de nomes retumbantes, como Gal Costa, Raul Seixas, Ivan Lins, Gilberto Gil, Marcos Valle, Beto Guedes, Caetano Veloso e Gonzaguinha. Membro ícone do Som Imaginário, sua discografia solo é pequena, com destaque para o álbum “Aurora Vermelha”, lançado em 1981. Carioca do Bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, Fredera atualmente vive no sul de Minas Gerais, em Alfenas. Em um momento de expectativa, durante a entrevista acena com a promessa de um trabalho inédito, com surpresas guardadas no baú da sua genialidade. Numa entrevista visceral, Frederyko, ou simplesmente Fredera:
VIRTUÁLIA – Com o fim da Tropicália, oprimida pela ditadura, surgiu uma espécie de Tropicália underground, ou geração do desbunde, da qual o Som Imaginário foi um ícone. Vocês traziam um existencialismo psicodélico latente, que, visto ao longo do tempo, mantém uma mensagem intacta. A ditadura pesava no respirar do desbunde, mal interpretado pela esquerda engajada? O desbunde conseguia fugir das limitações ideológicas de uma ditadura ferrenha e uma esquerda presa às dialéticas? FREDERA – Bem, a Tropicália puxou toda uma postura de enfrentamento, mesmo que apenas através de comportamento extravagante, de manifestação “artística” de desobediência, de discordância. A gente pegou esse bonde e levou pros palcos, sendo que só dois ou três da área do pop-rock sabiam o que faziam ou, em outras palavras, agiam conscientemente. Quase todos da Tropicália e, óbvio, adjacências, pensavam mais era em se dar bem, em trepar o mais possível, não se importando com ditadura ou o que fosse, a menos quando se sentiam ameaçados pelos gorilas e prepostos. Hoje a Tropicália é passado, e o rock brasileiro, curioso, persiste, e está muito mais crítico, é como se fosse o que deveria ocorrer naqueles tempos. Hoje o rock protesta, desde aquele lance parece que do Paralamas, que xingou a cambada dos parlamentares de “300 picaretas”, ainda quando o atual boneco enfaixado era só deputado – e não fazia porra nenhuma. Naqueles tempos, a lei era outra: a turma tinha cu e medo. Pois eu espicaçava, e até andei sendo procurado por eles – houve indagações a meu respeito em torturas na PE da Barão de Mesquita, Rio –, o que me levou a dois anos de “exílio” em BH. De gente da área que agiu como eu, só me lembro dos gêmeos Paulo e Cláudio Guimarães Ferreira, flautista e guitarrista respectivamente, gente muito teorizada, e do Ricardo Villas Boas, mas este não abraçou o rock, o desbunde, as drogas, agiu como guerrilheiro mesmo, e foi banido junto com a turma em que estava o Pacheco, que encontrei em Cuba. A turma queria mesmo, no dizer quase geral, era mulheres, fama e drogas, o resto que se danasse. A minha exclusão do Som Imaginário, conduzida pelo Wagner (Tiso), foi uma tomada de posição dele pela música instrumental, já que mal sabia se expressar, e que assim aproveitava também e virava as costas para a conscientização e para a consciência política. O segundo disco, dirigido por mim, apresentava desafio de fora a fora, não tinha amenidades musicais, as letras eram literárias e cabeludas, e era um disco também de muita beleza, apresentando um rock maduro e profundo musicalmente, dissonante, e já na raia do progressivo. O terceiro virou a pista de decolagem da carreira solo do Wagner, um disco sem palavras e conceitos. Na verdade, era uma questão clara: eram, TODOS, com raras exceções, incultos de pai e mãe. E, quando dirigindo o Som Imaginário, calquei no tom político, a turma se sentiu “out of tune”, e isso possibilitou ao Wagner, que tinha maioria porque tinha Luís (Alves) e Robertinho (Silva) sempre com ele, uma base política, promover minha exclusão – isso depois de eu me recusar a excluir o Tavito pelas costas, como o Wagner propôs, sem que o Tavito soubesse. Bem, a canalhice é inerente à condição humana, e assim aconteceu naqueles dias negros.
VIRTUÁLIA – Do antigo Som Imaginário, uma constelação de bons músicos brilhou na MPB. Havia uma unidade grande entre vocês, apesar dos egos, que com certeza, deveriam aflorar. Esta unidade vê-se bem nas composições “Sábado” (Fredera) e “Casa no Campo” (Zé Rodrix – Tavito), que se complementam, quase numa atmosfera única. No decorrer do tempo, quatro décadas depois, restou alguma unidade, ou afinidade entre vocês? FREDERA – Só para esclarecer: Sábado saiu no início de 1970, Casa no Campo quase em fins de 72. Sábado foi unanimidade, Casa no Campo foi um bom produto e foi bem lançado, pela Elis, e também era rica no aspecto concepcional. Sábado foi a simplicidade de um clássico; Casa no Campo foi uma espécie de profissão de fé extemporânea, porque tudo já tinha sido considerado. Lennon já tinha decretado o fim do sonho. Ele já sabia das coisas. E Sábado fala da senda do aperfeiçoamento, fala da desmaterialização, da busca do céu. Casa no Campo tem equívocos formais visíveis e prega uma reclusão no padrão das já superadas comunidades. Se há semelhanças, há por outro lado diferenças imensas. Para mim, são duas coisas que convergem em termos, mas divergem bastante em forma e na essência do conteúdo. Tenho relação de irmão com o Tavito. Com o Zé (Rodrix) era limpeza e até carinho, mas tínhamos menos identificação. O resto dos imaginários não tem condições para uma troca comigo. Até musicalmente, como no caso do Wagner, que não passa de factóide: é compositor sem concepção e sem fôlego, e o piano dele é limitado. Também pessoalmente, ele mesmo se definiu quando do encontro na casa do Gil, o negócio de afirmar não estar nem aí para a ética do PT ou qualquer tipo de ética. A ignorância da moçada era córnea, mal sabiam formular idéias. O Tim, nosso contemporâneo, disse no Jô na década de 90 que ele, o Roberto e o Erasmo não tinham “cultura”, só tinham o curso de datilografia no Colégio Urca, mesmo assim incompleto. Ele falou de cultura, queria falar é de instrução… Como vê, amigo, eles nem falar sabiam, e era geral. O Zé e o Tavito não: tinham preparo, berço. E o Robertinho era um grande músico, compensava suas deficiências. Uma vez briguei num banco do Rio quando o cara que nos atendeu não quis aceitar a assinatura dele no documento, porque era de forma primária. Mas o meio em geral era quase todo composto de apedeutas, e às vezes eram até atrevidos. Uma vez, em 1971, quando falei com o Pepeu sobre a ditadura, ele respondeu com inflexão de cafre que “Tem que estar bem pra tocar bem! Esse papo de ditadura tá por fora!”. Que tal? Mas o Som Imaginário venceu dificuldades e foi grupo de impacto, até que veio o golpe do Wagner, e aí… nunca mais. Cheguei até a armar tarefas em 1976, sob a produção do César Augustus Pereira, uma retomada do Som Imaginário, trabalhamos quase um ano, mas o grande lance já era: a tentativa ficou fria, caiu no vazio.
VIRTUÁLIA – Em 2009 perdemos o Zé Rodrix. O que impossibilitou uma reunião do grupo original. Mas nota-se que o Som Imaginário marcou a vida de vocês. Wagner Tiso ao completar 60 anos, chamou o disco comemorativo de “60 Anos – Um Som Imaginário”, quase como uma referência. Há qualquer possibilidade de um encontro entre vocês? FREDERA – Não posso perder a piada: perguntaram o que faltava para reunir os Beatles hoje. Resposta: duas balas. Lamento ter de informar que o uso do nome do grupo, atitude inexplicável do Wagner, é uma forma de apropriação indébita – mas que na verdade nada acrescenta, porque o trabalho dele não cola. É um factóide. Pra começar, o nome foi criado pelo José Minssen, produtor do Milton, no bar Sachinha’s, Leme, RJ, em 1970, onde tocavam Tavito e o Zé. Depois, temerosos de alguma usurpação, eu e Wagner registramos a marca em nosso nome numa firma de nome Leonardos, no Rio. Agora ele usa o nome, e consta, segundo o Zé e o Tavito, se não me engano também confirmado pelo Robertinho, que o lance de reunir o grupo em 2000, para comemorar 30 anos do grupo, foi abortado pelo Wagner. Ele não concordava em ombrear com os colegas que não estavam no olimpo, como ele. Foi unicamente por isso que não nos reunimos. O Zé até me falou, quando comentamos sobre subir ao palco mesmo com a diferenciação imposta pelo Wagner, que “Tudo bem, tocamos sim. Sem beijo na boca, óbvio!, mas tocamos sem problema.” Teve até outra: o que o “escritório” do Wagner informava era que a Heineken, que seria a patrocinadora, queria a PRIMEIRA formação do grupo, quando não havia nenhum sucesso e o grupo apenas acompanhava o Milton e tinha uma pontinha no show quando o Zé cantava With a Little Help from my Friends. Quando foi proposto que subissem ao palco os autores das canções de sucesso do grupo, Feira Moderna, Sábado, Nepal, não se falou mais no assunto. E hoje é impensável subir ao palco o velho Som. O Zé “saiu”, o Tavito tem a vida dele pra lá, eu ando pra cá, Robertinho e Luís trabalham suas carreiras e vivem em seus trampos, e o Wagner resolveu no estilo dele a coisa: no show dele no Municipal, reuniu o que ele contrata para sua carreira, e ficou desse tamanho. O Som morreu, a obra que fizemos está aí.
VIRTUÁLIA – Com a Abertura política a partir de 1978, a MPB voltou a ter força no cenário nacional. Na primeira metade da década de 80 a MPB vendia aos milhões. Houve uma saturação de mercado, e o lixo começou a ser dado para a população. A MPB voltou a ser elitizada? As grandes massas não têm mais o costume de ouvir MPB? FREDERA – Não se trata de nada disso, embora seja consenso: tudo foi armação de fora, golpe, intervenção internacional, e a MPB foi apenas instrumento para devastar definitivamente nossa cultura. Tudo isso é ação internacional via globo e multinacionais do disco pra nos desertizar culturalmente. O resultado hoje é o que sofremos: a ditadura da estupidez, a proletarização (no pior dos sentindos) a tapa, a miséria política e institucional, o fim. O povão ouve o que lhe mandam, é como papel, aceita a tinta que for lançada nele. Nossa cultura, que assombrava o mundo nos anos 50/60, com a Bossa Nova, Villa Lobos, Guimarães Rosa, nossos poetas, nossos artistas plásticos, nossos cineastas, tudo isso desapareceu sob a MPB, sob comando da Globo e das multinacionais do disco. Tudo foi muito controlado e muito bem executado, sem resistência qualquer, apenas uma voz clamando aqui, outra acolá, e quem falava disso era logo tachado de doido. E a turma da emepebê enriqueceu a mil.
VIRTUÁLIA – Na atual crise do mercado discográfico, com as gravadoras sendo ultrapassadas pela era digital, acha que há investimentos em grandes carreiras por parte dos produtores? Ou a produção independente é a saída? E a internet, mina qualquer hipótese de grandes vendas de discos? Tem como conciliar mercado fonográfico e era digital? FREDERA – Não há saída senão uma virada cósmica e radical. Assim como o cinema não interessou mais à intervenção anticultural internacional desde que a TV adentrou os lares e foi um degrau acima na destruição cultural e da vida em família em todo o ocidente. O cinema foi descartado, depois da TV, como prioridade: já tinha feito o estrago necessário. Da mesma forma a MPB: interessou quando e enquanto tínhamos cultura a ser pulverizada. Agora a etapa de dominação se opera em outro âmbito, tudo atomizado e caotizado. A internet atende a interessados em termo de revelar o que é bom, mas o futuro imediato é a desagregação total para que seja desferido o golpe de Estado internacional. Mercado fonográfico e era digital são unicamente circunstâncias de momento para o avanço da devastação cultural. Nada disso existe senão como instrumento de invasão e desmantelamento de Estados, de destruição da cultura e da coesão social.
VIRTUÁLIA – O Fredera compositor tem muitas surpresas guardadas na gaveta ou já produziu tudo que se propôs? Algum projeto musical à vista, ou planejado? Algum sonho musical ainda não realizado? FREDERA – Tenho alguma coisa sim, dá um bom CD. Até andam me sondando sobre isso. E ainda periga sair muito mais, quando estiver com a mão na massa, do que tenho pronto. Mas nada de sonhos: tenho é a realidade nas mãos, e não me preocupa aparecer, porque não existem mais ouvidos para ouvir. Talvez apenas reúna tudo e grave e edite para deixar para estudantes e estudiosos.
VIRTUÁLIA – Como um ex-cabeludo, que vestia de velhos jeans a propagar as mudanças dos costumes naqueles tumultuados inícios dos anos 70, vê hoje conceitos de liberdade, quando tudo é resumido no politicamente correto? Ainda dá para subverter o estabelecido? FREDERA – Nem sonhando, subverter o statu quo hoje é utopia pura, aliás, sempre foi. Hoje sou apenas desviante, por ser consciente. Não sou politicamente correto, sou correto em termos de política, ou seja, me mantenho atento a tudo que rola e trato de agir com a mente afinada no cosmo. Não vejo senão uma perspectiva de “armagedon” pela frente. Basta ver o grau de alienação a que foi submetido o pobre povo deste lugar – porque o Brasil como país ou nação já era, há muito! – e entender que tudo está irremediavelmente perdido.
VIRTUÁLIA – Vejo grandes nomes da MPB, como Gal Costa, sendo saco de pancadas de críticos e fãs, que não aceitam a passagem da idade dos ídolos. O Brasil é injusto com os seus ídolos? Prevalece o culto ao ídolo morto, como Elis Regina e Renato Russo, e a desconstrução do ídolo vivo? Ídolo morto no Brasil vale mais do que o vivo? FREDERA – A Gal, falando claro, sempre foi conduzida: dependeu da condução de Caetano e Gil, sempre teve repertório condicionado, volta e meia caindo no vulgar, no comercialóide, sempre foi assimilada por setores atrasados. Musicalmente sempre foi duvidosa, sempre vacilou em afinação, não sabia usar a voz em certos agudos, por aí. Foi musa do desbunde, mas sempre foi conduzida musicalmente e no geral. Pessoa adorável, simplíssima, às vezes até simplória, um doce, mas inculta, superficial. Hoje está fora do jogo, do qual se beneficiou sem saber que estrago ajudava a fazer em nossa História. Quanto a cultuar os mortos, tenho outra impressão: Raul, Renato Russo, Elis, a meu ver, estão soterrados. Está soterrado Gonzaguinha também, o que mostra a pobreza em que vivemos por imposição: é uma das mais importantes obras da MPB, e não se fala mais nele. E não se fala mais de ninguém, nem mesmo do Tom!… A realidade hoje é completamente irreal, tudo é imposto e incorpóreo, passageiro e vazio. É o que os caras querem pra dominar.
VIRTUÁLIA – Uma curiosidade pessoal: como era ser músico da musa do desbunde? Acompanhar uma Gal Costa jovem e pulsante era difícil? FREDERA – Não, era um trampo, do qual tirávamos um troco e uma casquinha pra sacanear os generais. Eu puxava o cordão da provocação, o Robertinho aderia, e só. Musicalmente era chato acompanhar a Gal, não tinha harmonia, era canção barata, embora inteligente em alguns momentos, porque tinha Caetano, Capinam, Wally, Duda fazendo boas letras. Éramos muito superiores a ela em conhecimento e espírito musical, ela era apenas um produto bem armado para aquela conjuntura, era um instrumento na imposição do massacre do intérprete sobre o músico. O mais difícil era suportar a exploração hipócrita a que nos submetiam. Para nós, a Gal era apenas uma cantora simples alçada a uma condição de surrealismo. Então, como a curra era inevitável, relaxávamos e aproveitávamos. Era isso, sem tirar nem pôr. Se o Wagner disser hoje algo diferente disso, que era exatamente o que ele dizia à época, estará sendo corporativista, oportunista; quanto a Luís e Robertinho, sinceramente o que eles dizem não pesa, porque atuam em concordância com o que pensam, e estão bastante fora de cena. E o Tavito é elegante, talvez desconverse…
VIRTUÁLIA – Fredera hoje. Ainda há limitações a serem rompidas? Musicalmente, há descobertas estéticas a acrescentar à obra? O que foi o Som Imaginário para você? FREDERA – O Som Imaginário foi, pelo que avalio hoje, uma grande oportunidade para minha eclosão como compositor, e uma tremenda prova de fogo. Para integrar o grupo realizei um salto imenso em minha vida, e isso foi esmagado pela política mineira que tinha e tem o Milton como guru. Tinha a máfia do dendê na turma dos baianos (o Cláudio Tognolli denunciou isso, é bem feio), tínhamos e ainda temos a máfia do pão de queijo em Minas, ressaltando que em ambas imperam fatores estranhos à música, tendendo a excluir os que não aderem a certas tendências de comportamento. Os verdadeiros músicos de Rio e São Paulo são bem moderados nisso, a militância musical não é capitaneada pela turma da, digamos, gay power. Isso pesa porque mistura categorias, submetendo o essencial, no caso a música, a contingências desviantes. A MPB, por seu turno, selecionou muito: a presença de intérpretes que difundiam comportamento alinhado a uma nova conduta até então não tão promovida no meio artístico, especialmente na canção, virou modismo, e pegou. Cantores como Bethânia, por exemplo, faziam um sucesso que os músicos digamos ortodoxos não entendiam. Como é que uma cantora que mal sabe dividir e é tão crítica em afinação e inflexão pode obter tanto sucesso e tanta oportunidade? Que melhorou com o passar dos anos, melhorou sim. Mas cantar com Pavarotti??…, ela e a Gal?? Nem um fenômeno quase sobre-humano como a Mônica Salmaso se sentiria bem ao lado do homem!… Para com o resto, portanto, pareceu faltar um apoio que levasse a uma concretização maior, sei lá. E isso é digno de registro apenas por ser um componente muito visível no conjunto, sobressaindo muito. E nunca me preocupou, embora eu tenha sido perseguido pela tropa de choque deles, até porque nem mesmo tomava conhecimento ou atentava para isso. Estava interessado numa outra coisa para mim verdadeiramente divina e gostosa… Considero isso como cor de pele: no meu caso, sou branco, e pronto. As outras peles para mim são peles também, mesmo que de cor diferente. E somos todos filhos de Deus. Eles, porém, pensam diferente, parece. Mas o Som Imaginário foi, pelo que podemos aferir hoje, um grupo realmente diverso: tínhamos muita harmonia musical, coisa rara na onda pop-rock; tínhamos erudição em nossa ala culta (Zé, Tavito e eu), eu vinha de Letras e trazia uma forte cultura em música erudita, pintura, e isso valeu. Na verdade, hoje estou certo de que foi o mais importante grupo brasileiro nessa categoria, e disparado. Até porque, na verdade, éramos populares só até onde convinha. Como o gato, que é sociável até onde lhe convém. Quanto a ter o que acrescentar, sempre tem! Estou envolvido numa pesquisa revolucionária, parece que explode neste ano. Estou sempre estudando, agora em fase febril, para deixar um legado aí para interessados em progresso musical, como já disse. Filosoficamente considero ter o que deixar também, tenho livros já prontos na mente só esperando a hora de poder sentar e escrever, sem contar que escrevi o Crime, que sacudiu geral. E tem a pintura e as artes plásticas, que também persigo com paixão, é religião. O que você indagou sobre descobertas estéticas, para mim, graças a Deus, elas não param, e até aumentam com a idade. Estou em franco crescimento, com uma obra bem consistente para apresentar a quem interessar possa – se um dia eu tiver saco de registrar tudo. E fico feliz porque vejo que pessoas estão ligadas, como você, e isso sempre é sinal de que a vida não morre pelas mãos dos algozes da humanidade e da liberdade.
Reportagem: Jeocaz Lee-Meddi

28/09/201220h00
Em SP, feira de discos chega ao Bar Brahma no domingo (30); “Usuário” sai por R$ 70

Do UOL, em São Paulo

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Renato Custódio/Divulgação

A Feira de Discos já passou pelos bairros da Vila Madalena, Perdizes e Rua Augusta e, no domingo (30). chega ao Bar Brahma

O Bar Brahma, em São Paulo, recebe neste domingo (30) a Feira de Discos das 11 às 20h. Mais de 60 expositores, entre lojas, sebos, colecionadores e vendedores específicos, vão vender e trocar LPs de diversos estilos durante o evento na famosa esquina da Ipiranga com a São João.

Um dos destaques é o LP “Usuário”, do Planet Hemp, lacrado, que sairá por R$ 70 na Locomotiva Discos. “Samba Esquema Novo”, de Jorge Ben Jor, também lacrado, sai por R$ 60.

E não só apenas os álbuns mais “saudosistas” que serão vendidos. “Madrid”, do novo e homônimo projeto de Adriano Cintra (ex-CSS) e Marina Vello (ex-Bonde do Rolê), será vendido a R$ 65 na Locomotiva.

Todos os ambientes do Bar Brahma, incluindo o Boulevard, o Salão Principal e a Esquina da MPB, serão ocupados para a ocasião. A partir das 15hs, as bandas Gasolines e Otis Trio vão se apresentar no Salão Principal.

Além de comprar, o público também poderá vender e trocar seus próprios LPs. Serão comercializados importados ou nacionais, novos ou usados, raridades e “deluxe editions”, além de toca-discos. Crianças também podem comparecer.

Segundo Marcio Custódio, que organiza a feira desde 2011, há a possibilidade de o evento se tornar mensal no Bar Brahma.

Serviço
Feira de Discos no Bar Brahma
Quando: domingo, 30 de setembro, das 11 às 20h
Onde: Av. São João, 677 – Centro (no cruzamento com a Av. Ipiranga)
Quanto: Entrada gratuita
Mais informações: http://www.barbrahmasp.com/portal, http://www.feiradediscos.tumblr.com, (11) 98030 2255 ou (11) 3367 3600

‘030’ by The Good The Bad (UNCUT)TGTB includes Adam Olsson (Baby Woodrose, The Setting Son) on lead guitar, Johan Lei Gellett (Baby Woodrose, Kira and the Kindred Spirits) on drums and Manoj Ramdas (The Raveonettes, SPEkTR) on baritone guitar

Fabricante terá de substituir madeiras raras, pondo em risco a qualidade acústica da guitarra

BBC Brasil | 14/10/2011 18:32

Foto: Getty Images

Guitarras Gibson usam madeira de de árvores em extinção

As guitarras Gibson, cultuadas por músicos mundo afora, estão na mira dos ambientalistas por levar em sua fabricação madeiras de árvores em extinção.

O caso poderá, literalmente, dar novo tom à música escutada em Nashville, berço da música country americana, caso madeiras raras sejam substituídas por outros materiais.

Mr. Jack, um veterano guitarrista da cidade do Alabama diz que o celebrado modelo Les Paul, um ícone da marca, tem um som incomparável.

“Você pode sentir em seu ouvido. É como se (o som) rapidamente ultrapassasse suas costeletas. É o tom”, diz Jack.

Mas o tom está ameaçado. No último dia 28 de agosto, carregamentos de madeira vindos da Índia foram lacrados por agentes armados nas dependências da Gibson em Nashville e em Memphis.

Segundo as autoridades, a Gibson violou o chamado Lacey Act, que determina que as importações americanas sigam as leis ambientais do país de origem dos produtos.

Tea Party

O embargo à Gibson acabou virando uma causa do grupo conservador Tea Party, ligado à oposição republicana.

O movimento acusa o governo federal, em Washington, comandando pelo americano Barack Obama, de extrapolar o papel do Estado.

Sob investigação, o presidente da Gibson, Henry Juszkiewicz, foi ovacionado em um encontro do Tea Party ao protestar contra o que considera “injustiça”.

A carga interceptada, no valor de US$ 500 mil, é suficiente para produzir dez mil braços de guitarra. Apesar das restrições cada vez maiores, a Gibson produz, a cada dia, 700 guitarras.

‘Santo Graal’
Com leis regulatórias cada vez mais estritas, a Gibson e outras fabricantes agora buscam madeiras alternativas.

A Dalbergia nigra, do Brasil, considerada o “santo graal” dos músicos, já não pode mais ser usada, porque entrou na lista de espécies em extinção.

O ébano, de Madagascar, deixou há alguns anos de ser uma opção, após pressão de grupos ambientalistas.

Em junho deste ano, foi interceptado um outro carregamento da Índia. No caso indiano, Juszkiewicz alega ser um problema
tarifário, e não ambiental.

Em qualquer caso, ele insiste, uma abordagem armada da polícia “não deveria ser a primeira resposta para um assunto de
importação-exportação”.
Desconfiança mútua

Para o movimento Tea Party e para a deputada republicana Marsha Blackburn, a inspeção de agentes federais simboliza que tudo está errado hoje em dia em Washington.

A presença de policiais armados na fábrica da Gibson esquentou ainda mais o debate.

Para o ativista do Greenpeace, Scott Paul, “todos são inocentes até que se prove o contrário”.

Ele alerta, no entanto, que a indústria como um todo terá que oferecer respostas a uma série de perguntas.

“Sempre houve uma pequena sensação de que uma porção significativa da madeira usada em instrumentos musicais vinha de fontes ou ilegais ou muito duvidosas”, diz.

Preservar o som
Ao invés de ameaçar o futuro dos instrumentos musicais, o guitarrista veterano Laurence Juber diz acreditar que a polêmica fomente a discussão sobre uma indústria mais sustentável.

“A madeira usada nas guitarras é crucial para o tom do instrumento”, diz Juber, que já tocou com Paul McCartney.

“Eu posso te mostrar a diferença no som entre uma madeira rosa da Índia e uma madeira rosa do Brasil.”

O fracasso na preservação das florestas pode levar a mudanças no jeito em que as guitarras são desenhadas e construídas, diz Juber. Não há garantia de que a experiência musical proporcionada pelas guitarras de hoje será preservada, diz.

“Espero que eu possa ajudar a manter a indústria viva e que em 300 anos as pessoas ainda possam tocar suas guitarras e sentir prazer por isso”, diz.


Obrigado 1991-você mudou minha vida! :-)

23 de setembro de 2011 por Charlie Hope

Em 1991, houve uma série de grandes álbuns lançados. No teste do tempo acabaram reconhecidos como clássicos, mantendo-se massivamente influentes e marcados como ícones de uma era.

Estes álbuns estão comemorando seu 20 º aniversário este ano;  sejamos gratos pelo papel que desempenharam na formação da cultura de uma geração , apreciação e  fruição da música.

Out of Time – R.E.M  ( fevereiro de 1991 )

Guns n’ Roses : Use Your Illusion IUse Your Illusion II (September ‘91)

Metallica : Metallica (August ‘91)

Nirvana : Nevermind (September ‘91)

Pearl Jam : Ten (August ‘91)

Red Hot Chili Peppers : BloodSugarSexMagik  (September ‘91)

No More Tears de Ozzy Osbourne

( setembro 91 )

Badmotorfinger – Soundgarden  ( outubro 91 )

What great musical awesomeness!

Post adaptado de: Thank you 1991–you changed my life! by Charlie Hope

http://torch.wordpress.com/2011/09/23/thank-you-1991you-changed-my-life/

TRIBUTO AO BOCA DO LIXO ( bandinha de garagem de São Vicente

JTM 60

JTM 60

A Vida e Obra de Johnny McCartney e as Aventuras de Raul Seixas na Sociedade da Grã-Ordem Kavernista

Postado em 5 de agosto de 2006

por Maurício Rigotto

Parte 1
Leno, o guitarrista Jay Vaquer e Raul Seixas em 1976.gif
Novamente cá estou eu sentado defronte a máquina de escrever para tentar parir mais um texto. Claro que não estou datilografando em alguma obsoleta Olivetti, estou escrevendo no Word do microcomputador, mas quando uso o micro para essa finalidade, assim o chamo, devo reconhecer que é bem mais prático, embora ainda aprecie ocasionalmente martelar meus dedos na minha ultrapassada máquina de datilografia. Estou preparado, já abri uma garrafa de vinho e acendi um incenso e o arguilé. Não, não voltei a fumar nicotina e alcatrão, mantenho-me um ex-fumante fiel, nem estou consumindo nenhuma ervinha do capeta ilícita, só um inofensivo e aromático fumo de cereja. Coloquei um disco dos Byrds pra rodar nessa madrugada gelada e agora começo a escrever sobre um dos meus maiores heróis da adolescência, um cara que influenciou muito minha formação e minha maneira de ver as coisas, sem ele, creio que minha vida teria até tomado outros rumos. Refiro-me ao maior Rocker tupiniquim, o baiano Raul Seixas.

Mas o que falar de Raul sem ser redundante? Relatar sua trajetória desde o Krig-Há Bandolo, Gita, Novo Aeon e suas histórias e proezas? Isso até quem não é fã está mais careca que o Carnacini de tanto saber. Poderia narrar o show que assisti e a emoção de ver Dom Raulzito bem de perto, mas alguns chatos estão me achando esnobe por relatar esses shows, então vou deixar para uma próxima ocasião. Vou falar de alguns discos dos primórdios, gravados antes desses famosos álbuns citados anteriormente, que tem bem mais que o dedo de Raul e, embora extremamente significativos e relevantes, permanecem no ostracismo, ignorados pela maioria. Claro que a dificuldade em achar essas raridades contribuem para isso, mas vamos aos fatos.

raulzito-e-os-panteras.jpgNo início dos anos sessenta, Raul já liderava a maior banda de rock de toda a Bahia, Raulzito e Os Panteras, que em 1968 chegou a lançar um LP homônimo. Porém, no auge da febre da Jovem Guarda, o disco foi muito mal produzido e pessimamente distribuído, foi lançado apenas para a gravadora cumprir sua cota. O resultado não poderia ser outro, um fracasso retumbante. A banda acabou e Raul foi convidado a trabalhar como produtor da CBS, compondo inúmeros sucessos encomendados para Jerry Adriani (“Doce Doce Amor”; “Tudo Que É Bom Dura Pouco”), Renato e Os Blue Caps, Tony e Frankie. Trio Ternura, etc… Raul sabia que estava compondo porcarias descartáveis, mas pegou o jeito de fazer canções com apelo comercial. Claro que seu lado artístico estava deveras insatisfeito, dizia: “Eu faço Iê-Iê-Iê romântico, mas eu queria era fazer Iê-Iê-Iê realista”. Mas a CBS foi intransigente: “Ou você é cantor ou é produtor, não pode ser as duas coisas, e aqui o seu emprego é de produtor”.

Tudo que era artista contratado pela CBS gravava músicas de Raul, inclusive a dupla Leno e Lilian. Lílian era namorada de Renato Barros, do Renato e Os Blue Caps, e este levou ela e seu amigo Gileno Azevedo para a CBS para formar a dupla romântica da Jovem Guarda, já que no Brasil não tinha nenhum casal cantando junto como Sonny and Cher. O sucesso foi estrondoso, “Pobre Menina” e “Devolva-me” estouraram em todo país. Leno e Lílian seguiram com muito êxito, o relacionamento foi além da música, não dividiam apenas o microfone, e em 1968, quando o romance acabou, conseqüentemente a dupla foi desfeita. Leno lançou dois discos solos na mesma linha romântica e se manteve nas paradas.

Raul Seixas e Leno.jpg

Foi aos Estados Unidos e voltou com outras idéias após presenciar a força do Rock’n’Roll e o apogeu do movimento Flower-Power. Essas idéias vieram de encontro com as do produtor engravatado de sua gravadora, Raul Seixas. Essa afinidade aproximou os dois e ambos passaram a se reunir para fumar baseados e conspirar um novo rumo para a carreira de Leno, que não queria se acomodar como um cantorzinho romântico de sucesso. Consciente que a Jovem Guarda estava acabada e das perspectivas que o rock nacional apontava, com todas as mudanças sonoras e comportamentais vigentes, em 1970 passou a compor rocks com temas contestatórios e políticos, falando inclusive sobre reforma agrária. Leno e Raul armaram o disco que seria o grande divisor de águas: “Vida E Obra de Johnny McCartney”, um disco com temas falando de drogas, censura, repressão, torturas e impostos, com uma sonoridade que ia do hard-rock ao rockabilly, com alusões a Dylan e aos Beatles.

Capa Leno.jpgPrimeiro disco gravado em oito canais no Brasil, abre com “Johnny McCartney”, um rockão básico sobre o estrelato, parceria de Leno e Raul, ambos gravaram acompanhados pela banda A Bolha. Segue “Por Que Não?”, mais um rock pesado com A Bolha e “Lady Baby”, uma balada de Raul no estilo Paul em “Eleanor Rigby”, com arranjo de cordas e variações instrumentais escancaradamente anacrônicas. “Sentado No Arco-Íris” é mais uma parceria Leno/Raul em que A Bolha parece tentar soar como o Cream, já “Pobre Do Rei” é uma sátira irônica aos mandatários do poder. “Peguei Uma Apollo”, do baixista Arnaldo Brandão, é um Rock’n’Roll stoniano que já fazia parte do repertório da Bolha. “Sr. Imposto de Renda” é uma rápida vinheta gravada por Leno, Raul e Renato Barros aos violões, uma clara referência a “Taxman” de George Harrison. O country-rock “Não Há Lei Em Grilo City” alarmava sobre a violência urbana, nesta faixa Leno foi acompanhado pela lendária banda uruguaia Los Shakers, que também o acompanha em “Contatos Urbanos”. A melodia de “Convite Para Ângela” seria reaproveitada por Raul anos mais tarde na canção “Sapato 36″.

Leno.jpgQuando mais da metade das músicas foram vetadas pela censura federal, fato que nunca ocorreu nas ingênuas gravações da Jovem Guarda, a CBS quis ouvir o que havia sido gravado e constatou que aquilo fugia totalmente aos padrões comerciais vigentes e determinou o arquivamento do projeto. Pouco tempo depois, Leno trocou a CBS pela Polydor e foi informado que todos os tapes de “Vida E Obra de Johnny McCartney” seriam apagados, tornando-se o grande elo perdido do rock brazuca.

Um quarto de século depois, em 1995, o pesquisador Marcelo Fróes realizava uma busca aprofundada no arquivo de tapes da antiga CBS, atual Sony Music, em virtude de estudos para o lançamento de um livro sobre a Jovem Guarda, quando se deparou com duas caixas empoeiradas em cujas etiquetas constavam músicas de Leno que ele nunca ouvira falar. Intrigado, entrou em contato com o artista para saber do que se tratava e este respondeu estupefato que era o seu disco “Vida E Obra de Johnny McCartney”, que ele há vinte e cinco anos acreditava ter sido apagado.

Leno finalmente lançou o disco em CD pelo seu minúsculo selo Natal Records, em uma tiragem de pouquíssimos exemplares, mas é quase como se permanecesse inédito, devido ser praticamente impossível de ser achado. Um grande disco de rock nacional em que Leno tem o luxo de ter como parceiro e membro da banda o então desconhecido Raul Seixas, uma raridade que só veio à luz devido a uma obra do acaso.

E não é que o destino foi generoso comigo também? Durante uma viagem, estava eu garimpando aqueles balaios de saldos que algumas lojas de CDs possuem, em que os CDs ficam todos amontoados em total desordem, com preços ridiculamente baixos e que geralmente só tem títulos encalhados que ninguém quer nem de graça, quando me deparei com um “Vida E Obra de Johnny McCartney”. Quase não acreditando que estava com um exemplar do disco perdido de Leno em minhas mãos, perguntei o preço ao balconista e fui informado que o compact disc me custaria a vultosa quantia de três reais!

Se alguém ficar curioso em conhecer, será um regozijo para mim proporcionar uma oitiva.

http://www.osarmenios.com.br/2006/08/a-vida-e-obra-de-johnny-mccartney-e-as-aventuras-de-raul-seixas-na-sociedade-da-gra-ordem-kavernista/

Mr. PIPELINE – by rcguerra

Enviado por robertocguerra em 16/07/2011

Surfando em São Vicente ( Surf’in Sanvi- Brasil )

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Homenagem de “Velho Músico” da Boca do Lixo, Flit e Bandida a Julio Michaelis, vocalista do Santuário…VIDA LONGA AO METAL DO BRASIL.

Homenagem de “Velho Músico” da Boca do Lixo, Flit e Bandida a Julio Michaelis, vocalista do Santuário…VIDA LONGA AO METAL DO BRASIL

26/12/2010

 

 

Enviado em 25/12/2010 às 22:22SUB COMANDANTE INSURGENTE MARCOS

Dr. Guerra….é com pesar que fiquei sabendo desta perda

Morre Julio Michaelis, vocalista do Santuário

23 December 2010

A banda Santuário foi uma das precursoras do heavy metal brasileiro e teve seu auge em 1986, ironicamente o mesmo ano em que seu vocalista, Julio Michaelis adoeceu gravemente, precisando deixar o grupo.

Depois de recuperado, Julio passou a dedicar-se a produções musicais e a passar adiante sua experiência em ser músico no país na época pré-internet, pré-CD, onde tudo era muito caro e difícil de divulgar.

O Santuário foi formado em uma sexta-feira 13, em agosto de 1982, na cidade de São Vicente, litoral de São Paulo, por Julio Michaelis Jr. (vocal), Ricardo “Micka” Michaelis e Armando Bandech (guitarras), Jorge “Rato” Bastos (baixo) e Alessandro Marco (bateria). Tempos depois, ocorreu a saída de Bandech – TROCOU O ROCK PELA PM – e, como quarteto, participaram das gravações da segunda edição da coletânea “SP Metal”.

O Santuário, que já chamava a atenção em seus shows, obteve grande repercussão entre os fãs com as faixas Espartaco, Gladiador Rei e Santuário.

Tudo corria bem até o início de 1986, quando Julio Michaelis Jr. passou por sérios problemas de saúde e teve de se afastar. No período em que não se confirmou a saída do vocalista, a função nos shows inicialmente era dividida por “Micka” e “Rato” e, posteriormente, apenas por “Micka”, ficando o Santuário como um trio por menos de um ano, quando a banda acabou.

Em 2006, o baterista Alessandro Marco e sua banda V2 apresentaram um tributo ao Santuário, mas a participação de Julio Michaelis acabou não acontecendo por motivos de saúde.

A última participação musical de Julio aconteceu nas gravações do filme ainda inédito “Brasil Heavy Metal”, onde aparece cantando e contando sobre as aventuras na época do Santuário. O filme, inclusive, reúne depoimentos de quase todos os principais vocalistas do metal e muitas pessoas que colaboraram em sua divulgação no país.

Ao contrário do que estamos acostumados a dizer em relação ao nosso país, os bangers não tem memória curta e sempre que surge uma nova banda, fazem questão de reverenciar àqueles que abriram campo ao heavy metal nacional.

Por isso hoje, com a partida de Julio Michaelis( 48 anos ), todos nós – bangers, metaleiros ou roqueiros, como quiser chamar – estamos em luto. E agradecemos por suas composições e performances. Fique em paz Julio.

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Caro RiK (Sub):

Soubemos na data do passamento pelo pessoal da BLASTER, loja do grande guitarrista Rafa ( Rafael Paulino Neto ).

O Julio era  nosso vizinho e colega de adolescência; desde a filial da Tremendão-Opus de São Vicente. Bem antes da existência do Santuário, quando o Rato e o Alê ainda eram membros do PRESENSA ( com o Gilvan e Chico Pupo ).

Uma grande perda,  um menino  excelente, trabalhador, brilhante e sempre gentil. Não merecia os percalços decorrentes da doença que lhe roubou a saúde praticamente ainda menino ( anotando que os problemas de saúde iniciaram antes de 1986).  Lembrando que sua  irmã, uma garota angelical que compartilhava os sonhos do Julio e do Micka,  infelizmente, também,  faleceu há pouco.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

Descanse em paz, Julio.

Buckethead
 
 
Nome: Buckethead
Nome real: Braian Carroll
Nascimento: 1969
Origem: Califórnia, EUA
Instrumentos: Guitarra
Bandas: Deli Creeps, Praxis, Zillatron, Giant Robot, Giant Robot 2, Cobra Strike, El Stew and Arcana
Álbuns solos: Bucketheadland (1992), Giant Robot (1994), Day Of The Robot (1996), Colma (1998), Monsters And Robots (1999), Somewhere Over The Slaughterhouse (2001), Bermuda Triangle (2002), Electric Tears (2002) entre outros.
Período no GN’R: 1999 até 30 de março de 2004
 
 
Biografia resumida
 
Buckethead (Cabeça de balde) é uma das figuras mais bizarras e enigmáticas do meio underground/experimental americano desde o movimento “Parliament-Funkadelic”, com suas bandas e personagens “cósmicas”, na metade dos anos 70. Multi-instrumentista completo, mais conhecido por sua pegada virtuosa na guitarra, Buckethead é reconhecido como um dos artistas contemporâneos mais inovadores de hoje, com seus licks rápidos e seu estilo quase robótico de tocar, que combina elementos de guitarristas como Yngwie Malmsteen, Adrian Belew, Slayer’s Kerry King, P-Funk’s Eddie Hazel e o improvisador John Zorn’s Scud-attack (que é saxofonista).

Seu primeiro grupo, uma banda de San Francisco com estilo metal-funk, era um sucesso regional, mas terminou antes que eles pudessem lançar alguma coisa.

A carreira solo de Buckethead foi mais produtiva (ao longo da carreira, Buckethead já lançou mais de 30 discos solos e trabalhou em mais de 50), graças ao incentivo de Zorn e Bill Laswell, com os quais ele já havia excurisonado e gravado na fase em que tocava no Praxis. Laswell também pruduziu vários dos albums solo de Buckethead (incluindo Dreamtorium e Day of the Robot) e o incluiu em vários projetos com outros artistas como Hakim Bey, Bootsy Collins, Anton Fier, Jonas Hellborg, and Bernie Worrell. Além do album Colma, de 1998, Buckethead também contribuiu na trilha sonora dos filmes “O Último grande Herói” e “Street Fighter”. Em 1999, já sendo membro da nova formação do Guns N’ Roses, ele lançou “Monsters and Robots” e já no século 21, lançou o contemplativo “Eletric Tears”, mantendo o estilo que o caracterizou até hoje. Buckethead abandonou o Guns N’ Roses em 2004, alegando falta de interesse de Axl Rose em lançar material novo.

Embora Buckethead agora trabalhe primeiramente como artista solo viajando os Estados Unidos com um trio, ele possui um grande currículo de colaborações com artistas famosos como Les Claypool, Tony Williams, Bootsy Collins, Bernie Worrell,Corey Tailor, Serj Tankian do System of a Down, Guns N’ Roses e com Bill Laswell do Praxis.

Buckethead foi aluno de Paul Gilbert, hoje muitos o consideram melhor que seu professor. Por muito tempo imaginou-se que os dois seriam a mesma pessoa, hoje em dia essa hipótese já foi descartada e existem provas de que não são a mesma pessoa, como por exemplo datas de apresentação de Paul Gilbert e Buckethead coincidirem num mesmo dia e hora em locais diferentes ou muito distantes.
 
 
 
Alguns instrumentos
 

Guitarras:

-Jackson Flying V
-Steinberger GS
-ESP MII
-Gibson Chet Atkins
-Ibanez X-Series Flying V
-Takamine Acoustic
-’59 Les Paul Custom
-Gibson SG
’-69 Gibson Les Paul Custom
 
Amplificadores:

-Peavey Reknown
-Misc. Marshall & Mesa Boogie heads
-Matt Wells head
H-arry Kolbe Cabinets
-Mesa Boogie cabinets
 
Efeitos:

-Roland SE 50
-Rocktron Intellifex
-Rockman
-Zoom multi effects unit
-Alesis Midiverb II
-A wah wah
-Lexicon JamMan
-Electro Harmonix Micro Synthesizer
-Pro Co Rat
-Digitech Whammy Pedal
-Misc Toys 
 

donatella versace1955_Fender_Stratocaster

1955_Fender_Stratocaster

1955_Fender_Stratocaster

As antigas que me desculpem, mas continuo preferindo seminovas. Não precisa vir lacrada, mas não pode ter rodado de mão em mão.

les paul custom

Abaixo estão muitas dicas sérias para você se aprimorar cada vez mais no seu instrumento e na música .Aproveite !!

 

“Ouça muitos outros guitarristas. Ache inspiração em outros instrumentos também, isso ajuda muito. Tocar em JAMS também é uma escola maravilhosa para quem quer desenvolver um ótimo ouvido. Estude de maneira apaixonada, é a melhor forma de criar uma linguagem musical”
John Petrucci

 

 

“Toque para o som e não para você . Deixe o ego de lado”
Michel Leme

 

 

“Não queira tocar como ninguém, seja você mesmo.Eu não uso a palavra roubar, mas tente tomar emprestado um pouco de cada cara que ouvir tocar. Mas não tente soar exatamente igual como outro.”
BB King

 

 

“Desencante de regras e técnicas . Toque de forma natural. Vale tudo !!! ”
Sandro Haick

 

 

“Você é o que pensa ser…, por isso nunca se subestime, pois ninguém é mais que ninguém, mas pode ser cada vez melhor que si mesmo . Surpreenda-se !!!”
Darli Parisi

 

 

“Quando está estudando nunca repita o que já sabe. Use essas coisas no seu dia-a-dia. Durante o tempo de estudo, procure novidades”
Faiska

 

 

“Tenha um bom mestre”
Lanny Gordin

 

 

“Sempre procurei fazer o que gosto, por isso, sou guitarrista. Portanto, tenha prazer quando tocar”
Frank Solari

 

 

“Toque com o ouvido e não apenas com as mãos. Por exemplo, se você for inventar ou tirar uma frase, deve assobiá-la ou cantá-la antes. Caso contrário não vai adiantar nada. Os dedos não pensam, isso é função da cabeça!!”
Eduardo Ardanuy

 

 

“Ouça todos os estilos sem preconceito. Procure tirar músicas e ter aulas para tirar os vícios”
Fábio “Índio” Amaral

 

 

“Acredite nos seus sonhos e lute por eles”
Marcio Okayama

 

 

“O guitarrista deve desgrudar do instrumento e estudar música. Se você tem o hábito de tocar oito horas por dia, dedique quatro para a guitarra e outras quatro para o aprendizado de música:harmonia, composição, solfejo, leitura, percepção …”
Pollaco

 

 

“Grave tudo que você tocar ; inclusive estudos, e você vai perceber melhor no que deve melhorar”
Steve Vai

 

 

“Faça exercícios de digitação para aquecer as mãos antes de tocar. Tenha calma na hora de estudar, não se apresse. E procure praticar tudo com som limpo, sem distorção !!”
Ives Passarell

 

 

“Há duas maneiras de tocar guitarra. A primeira é pela curtição: o palco, o ensaio, o tesão , a festa..A segunda é o estudo. Sempre falo para um aluno : ‘se você toca duas horas por dia, dedique uma hora e meia para a festa e meia hora para o estudo’. Mas, durante essa meia hora, o estudante deve ter uma disciplina militar . No período do aprendizado, o erro é inadmissível. Se errar a penúltima nota de uma escala, por exemplo,o músico deve dar uma importância vital para essa falha. Precisa voltar à escala e tocá-la mais devagar até que saia perfeita. O erro serve para aprender e, por isso, durante o estudo, o aluno precisa ser chato e exigente consigo mesmo. Agora, durante a festa, ele pode errar e dar risada ..!!!”
Wander Taffo

 

 

“Copie nota por nota as músicas que você gosta. Quando eu tinha dez anos, tirei de ouvido Black Magic Woman, do Santana, inteirinha. No meu caso. isso me ajudou muito !!!”
Nuno Mindelis

 

 

“Escolha uma harmonia de uma canção que você já conheça e toque. Toque-a diversas vezes procurando ouvir os baixos. Depois disso, cante os baixos enquanto toca a melodia. Em seguida toque os baixos cantando a melodia .”
Celso Brescia

 

   

Textos:    http://www.rrockworld.hpg.ig.com.br/dicas.htm

 

http://youtu.be/m0vsw5hYyso

Contavam a estória de que disseram a Eddie Hazel que mãe acabara de morrer; ele em seguida improvisou Maggot Brain para perpetuar sua dor. Mentira!

Só prá quem tem R$ 50.000,00