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Monthly Archives: maio 2011

Homenagem de “Velho Músico” da Boca do Lixo, Flit e Bandida a Julio Michaelis, vocalista do Santuário…VIDA LONGA AO METAL DO BRASIL.

Homenagem de “Velho Músico” da Boca do Lixo, Flit e Bandida a Julio Michaelis, vocalista do Santuário…VIDA LONGA AO METAL DO BRASIL

26/12/2010

 

 

Enviado em 25/12/2010 às 22:22SUB COMANDANTE INSURGENTE MARCOS

Dr. Guerra….é com pesar que fiquei sabendo desta perda

Morre Julio Michaelis, vocalista do Santuário

23 December 2010

A banda Santuário foi uma das precursoras do heavy metal brasileiro e teve seu auge em 1986, ironicamente o mesmo ano em que seu vocalista, Julio Michaelis adoeceu gravemente, precisando deixar o grupo.

Depois de recuperado, Julio passou a dedicar-se a produções musicais e a passar adiante sua experiência em ser músico no país na época pré-internet, pré-CD, onde tudo era muito caro e difícil de divulgar.

O Santuário foi formado em uma sexta-feira 13, em agosto de 1982, na cidade de São Vicente, litoral de São Paulo, por Julio Michaelis Jr. (vocal), Ricardo “Micka” Michaelis e Armando Bandech (guitarras), Jorge “Rato” Bastos (baixo) e Alessandro Marco (bateria). Tempos depois, ocorreu a saída de Bandech – TROCOU O ROCK PELA PM – e, como quarteto, participaram das gravações da segunda edição da coletânea “SP Metal”.

O Santuário, que já chamava a atenção em seus shows, obteve grande repercussão entre os fãs com as faixas Espartaco, Gladiador Rei e Santuário.

Tudo corria bem até o início de 1986, quando Julio Michaelis Jr. passou por sérios problemas de saúde e teve de se afastar. No período em que não se confirmou a saída do vocalista, a função nos shows inicialmente era dividida por “Micka” e “Rato” e, posteriormente, apenas por “Micka”, ficando o Santuário como um trio por menos de um ano, quando a banda acabou.

Em 2006, o baterista Alessandro Marco e sua banda V2 apresentaram um tributo ao Santuário, mas a participação de Julio Michaelis acabou não acontecendo por motivos de saúde.

A última participação musical de Julio aconteceu nas gravações do filme ainda inédito “Brasil Heavy Metal”, onde aparece cantando e contando sobre as aventuras na época do Santuário. O filme, inclusive, reúne depoimentos de quase todos os principais vocalistas do metal e muitas pessoas que colaboraram em sua divulgação no país.

Ao contrário do que estamos acostumados a dizer em relação ao nosso país, os bangers não tem memória curta e sempre que surge uma nova banda, fazem questão de reverenciar àqueles que abriram campo ao heavy metal nacional.

Por isso hoje, com a partida de Julio Michaelis( 48 anos ), todos nós – bangers, metaleiros ou roqueiros, como quiser chamar – estamos em luto. E agradecemos por suas composições e performances. Fique em paz Julio.

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Caro RiK (Sub):

Soubemos na data do passamento pelo pessoal da BLASTER, loja do grande guitarrista Rafa ( Rafael Paulino Neto ).

O Julio era  nosso vizinho e colega de adolescência; desde a filial da Tremendão-Opus de São Vicente. Bem antes da existência do Santuário, quando o Rato e o Alê ainda eram membros do PRESENSA ( com o Gilvan e Chico Pupo ).

Uma grande perda,  um menino  excelente, trabalhador, brilhante e sempre gentil. Não merecia os percalços decorrentes da doença que lhe roubou a saúde praticamente ainda menino ( anotando que os problemas de saúde iniciaram antes de 1986).  Lembrando que sua  irmã, uma garota angelical que compartilhava os sonhos do Julio e do Micka,  infelizmente, também,  faleceu há pouco.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

Descanse em paz, Julio.

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Buckethead
 
 
Nome: Buckethead
Nome real: Braian Carroll
Nascimento: 1969
Origem: Califórnia, EUA
Instrumentos: Guitarra
Bandas: Deli Creeps, Praxis, Zillatron, Giant Robot, Giant Robot 2, Cobra Strike, El Stew and Arcana
Álbuns solos: Bucketheadland (1992), Giant Robot (1994), Day Of The Robot (1996), Colma (1998), Monsters And Robots (1999), Somewhere Over The Slaughterhouse (2001), Bermuda Triangle (2002), Electric Tears (2002) entre outros.
Período no GN’R: 1999 até 30 de março de 2004
 
 
Biografia resumida
 
Buckethead (Cabeça de balde) é uma das figuras mais bizarras e enigmáticas do meio underground/experimental americano desde o movimento “Parliament-Funkadelic”, com suas bandas e personagens “cósmicas”, na metade dos anos 70. Multi-instrumentista completo, mais conhecido por sua pegada virtuosa na guitarra, Buckethead é reconhecido como um dos artistas contemporâneos mais inovadores de hoje, com seus licks rápidos e seu estilo quase robótico de tocar, que combina elementos de guitarristas como Yngwie Malmsteen, Adrian Belew, Slayer’s Kerry King, P-Funk’s Eddie Hazel e o improvisador John Zorn’s Scud-attack (que é saxofonista).

Seu primeiro grupo, uma banda de San Francisco com estilo metal-funk, era um sucesso regional, mas terminou antes que eles pudessem lançar alguma coisa.

A carreira solo de Buckethead foi mais produtiva (ao longo da carreira, Buckethead já lançou mais de 30 discos solos e trabalhou em mais de 50), graças ao incentivo de Zorn e Bill Laswell, com os quais ele já havia excurisonado e gravado na fase em que tocava no Praxis. Laswell também pruduziu vários dos albums solo de Buckethead (incluindo Dreamtorium e Day of the Robot) e o incluiu em vários projetos com outros artistas como Hakim Bey, Bootsy Collins, Anton Fier, Jonas Hellborg, and Bernie Worrell. Além do album Colma, de 1998, Buckethead também contribuiu na trilha sonora dos filmes “O Último grande Herói” e “Street Fighter”. Em 1999, já sendo membro da nova formação do Guns N’ Roses, ele lançou “Monsters and Robots” e já no século 21, lançou o contemplativo “Eletric Tears”, mantendo o estilo que o caracterizou até hoje. Buckethead abandonou o Guns N’ Roses em 2004, alegando falta de interesse de Axl Rose em lançar material novo.

Embora Buckethead agora trabalhe primeiramente como artista solo viajando os Estados Unidos com um trio, ele possui um grande currículo de colaborações com artistas famosos como Les Claypool, Tony Williams, Bootsy Collins, Bernie Worrell,Corey Tailor, Serj Tankian do System of a Down, Guns N’ Roses e com Bill Laswell do Praxis.

Buckethead foi aluno de Paul Gilbert, hoje muitos o consideram melhor que seu professor. Por muito tempo imaginou-se que os dois seriam a mesma pessoa, hoje em dia essa hipótese já foi descartada e existem provas de que não são a mesma pessoa, como por exemplo datas de apresentação de Paul Gilbert e Buckethead coincidirem num mesmo dia e hora em locais diferentes ou muito distantes.
 
 
 
Alguns instrumentos
 

Guitarras:

-Jackson Flying V
-Steinberger GS
-ESP MII
-Gibson Chet Atkins
-Ibanez X-Series Flying V
-Takamine Acoustic
-’59 Les Paul Custom
-Gibson SG
’-69 Gibson Les Paul Custom
 
Amplificadores:

-Peavey Reknown
-Misc. Marshall & Mesa Boogie heads
-Matt Wells head
H-arry Kolbe Cabinets
-Mesa Boogie cabinets
 
Efeitos:

-Roland SE 50
-Rocktron Intellifex
-Rockman
-Zoom multi effects unit
-Alesis Midiverb II
-A wah wah
-Lexicon JamMan
-Electro Harmonix Micro Synthesizer
-Pro Co Rat
-Digitech Whammy Pedal
-Misc Toys 
 

donatella versace1955_Fender_Stratocaster

1955_Fender_Stratocaster

1955_Fender_Stratocaster

As antigas que me desculpem, mas continuo preferindo seminovas. Não precisa vir lacrada, mas não pode ter rodado de mão em mão.

les paul custom

Abaixo estão muitas dicas sérias para você se aprimorar cada vez mais no seu instrumento e na música .Aproveite !!

 

“Ouça muitos outros guitarristas. Ache inspiração em outros instrumentos também, isso ajuda muito. Tocar em JAMS também é uma escola maravilhosa para quem quer desenvolver um ótimo ouvido. Estude de maneira apaixonada, é a melhor forma de criar uma linguagem musical”
John Petrucci

 

 

“Toque para o som e não para você . Deixe o ego de lado”
Michel Leme

 

 

“Não queira tocar como ninguém, seja você mesmo.Eu não uso a palavra roubar, mas tente tomar emprestado um pouco de cada cara que ouvir tocar. Mas não tente soar exatamente igual como outro.”
BB King

 

 

“Desencante de regras e técnicas . Toque de forma natural. Vale tudo !!! ”
Sandro Haick

 

 

“Você é o que pensa ser…, por isso nunca se subestime, pois ninguém é mais que ninguém, mas pode ser cada vez melhor que si mesmo . Surpreenda-se !!!”
Darli Parisi

 

 

“Quando está estudando nunca repita o que já sabe. Use essas coisas no seu dia-a-dia. Durante o tempo de estudo, procure novidades”
Faiska

 

 

“Tenha um bom mestre”
Lanny Gordin

 

 

“Sempre procurei fazer o que gosto, por isso, sou guitarrista. Portanto, tenha prazer quando tocar”
Frank Solari

 

 

“Toque com o ouvido e não apenas com as mãos. Por exemplo, se você for inventar ou tirar uma frase, deve assobiá-la ou cantá-la antes. Caso contrário não vai adiantar nada. Os dedos não pensam, isso é função da cabeça!!”
Eduardo Ardanuy

 

 

“Ouça todos os estilos sem preconceito. Procure tirar músicas e ter aulas para tirar os vícios”
Fábio “Índio” Amaral

 

 

“Acredite nos seus sonhos e lute por eles”
Marcio Okayama

 

 

“O guitarrista deve desgrudar do instrumento e estudar música. Se você tem o hábito de tocar oito horas por dia, dedique quatro para a guitarra e outras quatro para o aprendizado de música:harmonia, composição, solfejo, leitura, percepção …”
Pollaco

 

 

“Grave tudo que você tocar ; inclusive estudos, e você vai perceber melhor no que deve melhorar”
Steve Vai

 

 

“Faça exercícios de digitação para aquecer as mãos antes de tocar. Tenha calma na hora de estudar, não se apresse. E procure praticar tudo com som limpo, sem distorção !!”
Ives Passarell

 

 

“Há duas maneiras de tocar guitarra. A primeira é pela curtição: o palco, o ensaio, o tesão , a festa..A segunda é o estudo. Sempre falo para um aluno : ‘se você toca duas horas por dia, dedique uma hora e meia para a festa e meia hora para o estudo’. Mas, durante essa meia hora, o estudante deve ter uma disciplina militar . No período do aprendizado, o erro é inadmissível. Se errar a penúltima nota de uma escala, por exemplo,o músico deve dar uma importância vital para essa falha. Precisa voltar à escala e tocá-la mais devagar até que saia perfeita. O erro serve para aprender e, por isso, durante o estudo, o aluno precisa ser chato e exigente consigo mesmo. Agora, durante a festa, ele pode errar e dar risada ..!!!”
Wander Taffo

 

 

“Copie nota por nota as músicas que você gosta. Quando eu tinha dez anos, tirei de ouvido Black Magic Woman, do Santana, inteirinha. No meu caso. isso me ajudou muito !!!”
Nuno Mindelis

 

 

“Escolha uma harmonia de uma canção que você já conheça e toque. Toque-a diversas vezes procurando ouvir os baixos. Depois disso, cante os baixos enquanto toca a melodia. Em seguida toque os baixos cantando a melodia .”
Celso Brescia

 

   

Textos:    http://www.rrockworld.hpg.ig.com.br/dicas.htm

 

http://youtu.be/m0vsw5hYyso

Contavam a estória de que disseram a Eddie Hazel que mãe acabara de morrer; ele em seguida improvisou Maggot Brain para perpetuar sua dor. Mentira!

Só prá quem tem R$ 50.000,00

Hard Rock nos anos 80 e a permanência no cenário paulista



São Vicente x Santos
Dependendo do que você escutasse você era considerado Playboy. A turma de São Vicente era mais heavy metal que a de Santos.

O baile de São Vicente era mais Heavy Metal que o de Santos. E realmente o pessoal de São Vicente era mais unido e corriam mais atrás das novidades. O povo de Santos não era tão unido. Era raro, mas, às vezes surgia um quebra-pau. Mas quando abri a loja, estes conflitos sumiram.
No começo dos anos 80 era muito legal. Você saia na rua de cabelo comprido e alguém já gritava: “Olha o Johnn Lennon”. Na época era um radicalismo total. Se não gostava de Heavy Metal era Playboy.
Alexandre Serrano Macia, o Pepinho da Metal Rock

fonte A HISTÓRIA DO ROCK SANTISTA

quinta-feira, 8 de março de 2007

Assim eram as bocas

Texto: Bardhal / Lucas Krempel
Dezembro de 1969
Quando desceu do Volkswagen verde do Mário Serra, crooner da banda Paralelo 23, o baixista Bardhal não poderia imaginar que uma surpresa chocante o aguardava em sua primeira incursão às famosas Bocas do Porto de Santos: um corpo encontrava-se no chão de paralelepípedos, semi-encoberto por um jornal, o mesmo onde o falecido seria, provavelmente, parte do noticiário policial.

Foi um verdadeiro choque e o músico foi tomado por um horror que ainda não havia experimentado.
O baixista passou a sua infância no antigo bairro do Marapé, mais precisamente a umas duas quadras do famigerado “pé do morro” onde proliferavam os mais temidos bandidos da época. Havia presenciado cenas dignas dos melhores filmes de faroeste tupiniquim, mas, assassinato mesmo ainda não tinha visto.

E estava lá “o corpo estendido no chão” mais precisamente meio corpo calçada acima e pernas abertas para o leito carroçável. Nada mais que um punhado de putas e espectadores rodeavam o corpo que ganhava um efeito sinistro causado pela luz vermelha piscante do camburão preto e branco da polícia civil que se encarregava dos procedimentos de praxe.

Mas o rock and roll convidava para uma exploração mais profunda e isto requeria um pouco de coragem, pois, o ano de 1969 consolidava a entrada do rock da era Beatles no país e, invariavelmente, os navios traziam, além de mercadorias, os compactos e elepês dos grupos britânicos Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who entre outros.

Assim, as boites das Bocas do Porto de Santos não eram só um pólo de diversão sexual para os marinheiros que formavam uma verdadeira Babel naquele trecho da cidade. Foi lá que os primeiros grupos de músicos iniciavam a revolucionária história do rock no Brasil, através da influência avassaladora da Beatlemania que trazia em sua esteira a sede os mais variados e hipnotizantes sons até então desconhecidos.

As noites das Bocas expressavam então, a profunda transição de estilo musical que antes se concentrava em um comportamento mais polido de músicos engravatados e que costumavam se apresentar também no lendário e igualmente especial Parque Balneário Hotel que existia na esquina da Avenida Ana Costa com a Praia, o qual, rendido a interesses comerciais, foi demolido para prejuízo irrecuperável da história da cidade.

Nesta época, o máximo da travessura musical se resumia ao rockabilly, que disputava, com fraqueza, espaço entre mambos, boleros e o samba de breque. Mas, como saídos de uma nave espacial alienígena, os “conjuntos” de rock começavam a invadir os bares e aos poucos, roubando a cena.

Os cabeludos causavam espanto àquela altura dos acontecimentos, mas os donos dos night clubs tiveram faro suficiente para sacar a preferência dos marinheiros pela agitação daquele som inovador. Pelo que se consta, um dos primeiros incentivadores da nova onda foi o “Seo Abel” do Oslo Bar que cedeu espaço aos Lovers, formado por Vigna, Velha, Carlinhos e Satanás.

Assim estava traçado o caminho do rock, sob a regência de um bando de jovens tidos na época como “transviados” cuja arte atraia marinheiros sedentos de diversão e sexo e as putas, sabiamente treinadas para torrar os dólares de seus clientes e ganhar comissões tentadoras.

Depois de curtir a noite embalada por suor, tabaco, bebidas alcoólicas, drogas e o som das guitarras ensurdecedoras, levavam suas presas para os hotéis pulguentos das cercanias e lá, terminavam o serviço. Muitos “gringos” como eram conhecidos os marinheiros, sob efeito de álcool e drogas, eram roubados ao final dos programas, mas registraram-se muitos casos onde se apaixonaram verdadeiramente pelas prostitutas, casaram-se e formaram família, no melhor estilo ”lavou tá novo”.

Os bares, ou night clubs, eram batizados segundo uma estratégia de marketing que parecia funcionar e, ao mesmo tempo, dava um toque cosmopolita à Boca Santista: Bergen, Suomi, Oslo, Zanzibar, Porto Rico, American Bar, Hamburg Bar, Akropolis, Casablanca, entre outros, com seus luminosos em neon a piscar eternamente na mente de quem por ali passou.

Naquela noite, nem mesmo aquele corpo estendido faria Bardhal recuar. O músico foi acompanhado pelos amigos Mário Serra (crooner), Acácio (percussão) e Flávio Ligadinho (bateria) de bar em bar para escutar o som de que tanto ouvia falar.

Bardhal foi arrebatado, literalmente, quando entrou no Hamburg Bar e viu aquele ambiente totalmente estranho e onde a luz negra causava um efeito fantasmagórico nos corpos que se moviam ao som ensurdecedor das guitarras elétricas e os vocais carbonados com maestria, ainda que num inglês irreconhecível.
Ficou parado na entrada, estupefato, narcotizado por cenas que jamais imaginara testemunhar. Era a magia das Bocas.

Naquela época o músico havia sido convidado para ser o baixista do grupo Paralelo 23, “título” que conferia trafegar pelo mundos das bandas (conjuntos) mesmo que sob o preconceitos dos grupos maiores e de mais prestígio, como Pop Six, Teenagers e pelo excepcional Black Cats ( Blow Up). Ou seja, Bardhal já ouvia muito rock da Era Beatles, mas ainda não havia experimentado aquele tipo de sensação de estar em um “outro mundo”, repleto de personagens de um conto surreal que misturava idiomas, costumes, sexo, drogas e rock and roll.

Não se pode explicar porque aquela onda chegou com tanta força, mas é inegável o arrebatamento de toda uma geração que se rendeu ao rock, principalmente o produzido na Inglaterra. Muitos jovens largaram seus estudos na tentativa se tornarem músicos. Buscavam a fama, dinheiro fácil e prestígio, sob influência dos astros do rock de então cujas vidas eram largamente exploradas pela mídia. A maioria se deu mal a julgar pela falta de condições culturais adequadas em um país que pouco sabe ou se interessa em incentivar seus talentos e também pela falta de interesse em estudar e estabelecer metas para suas carreiras. Alguns alcançaram seu objetivo por mérito, esforço e uma boa dose de sorte.

Na época, a maioria dos rapazes estavam interessados em mergulhar de cabeça no rock e, por conta disto, eram músicos e holders ao mesmo tempo; carregavam a aparelhagem, montavam, tocavam com fervor, desmontavam, carregavam e descarregavam.

Os equipamentos de então, ainda que escassos, eram robustos e pesadíssimos como os Tremendões e True Reverbs, da Gianinni, para guitarras e os acanhados Phelpas “pirulito” que os músicos usavam para a voz, antes da própria Gianinni lançar os “ musts” A100, A200 e A300. Verdadeiro exercício de força física e de vontade.

Chegavam em casa junto com o Sol, quando não com chuva, mas sem reclamar e satisfeitos por “estrelarem” naquele admirável mundo do novo rock. Bardhal começou a trabalhar muito cedo e, desde o início, percebeu que viver como boêmio, não combinava com a sua personalidade.

E foi assim que se apaixonou pelo rock, pela noite e pelas Bocas, sem no entanto deixar de ser comportado, caretão. Um amor que venceu as décadas e que permanece até hoje, quando, curiosamente, reencontra alguns amigos daquela época de ouro e, fantasticamente, volta ao palco, resgatando uma parte das emoções de uma das mais lindas páginas da sua vida, o rock and roll.

Aos poucos o baixista se tornou querido pelos músicos e chegou até a receber ofertas de consumo gratuito do “Seo Júlio” um português de bigodinho estilo Clark Gable que gostava da sua voz e do seu jeito de animar os gringos.

FOTOS: De cima para baixo… 1)Véia,Vigna e Ricardo no Microfonia – Santos, 1971 …2) Bardhal em ação

Anos 60/70 – Rock das Bocas x Rock dos Clubes

 
Enquanto eu trabalhava com os capítulos dos anos 80, 90 e 00, um conhecido do meu pai, apareceu no orkut com muitas histórias interessantes sobre o início do rock santista. Com um belo texto, rico em detalhes e muita disposição para escrever, não pensei duas vezes, chamei Bardhal, um dos grandes roqueiros da década da beatlemania para me ajudar no projeto. Uma prévia da ajuda dele vocês podem conferir abaixo.

Lucas Krempel

Amava os Beatles e os Rolling Stones

Texto: Bardhal

Muito se fala sobre a radical influência que o Rock and Roll, da era “Depois dos Beatles”, teve na cultura dos anos 60 a 80 no Brasil.

Como um “dinossauro do rock” posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que não sou apenas uma testemunha ocular desse acontecimento, como também vivi, na pele de músico amador, os efeitos desta incrível onda iniciada pelos quatro rapazes que mudaram definitivamente a história e o destino de Liverpool. E do mundo.

Lembro-me que no final dos anos 50 e até o início da década de 60, a moçada requebrava as cadeiras ao som de Elvis Presley, Bill Halley, Chubby Checker, Beach Boys, Dell Chanon, Don Taylor, Triny Lopez entre outros.

Ray Conniff e Herb Albert & Tijuana Brass completavam o menu que embalavam os bailinhos onde as meninas ainda usavam cabelos armados (colocavam bombril e laquê pra dar volume) e saias compridas de estampado berrante. Tecido de bolinhas e lenço na cabeça era o “must”, tendo cinturas sufocadamente afinadas por cintos de grandes fivelas, óculos tipo “gatinho”, meia soquete e, é claro, os chicletes. Ronnier Cord subia a Rua Augusta a 120 km por hora e o biquíni amarelinho ainda era um “desbunde“.

Mas, de repente, tudo começou a mudar, muito rapidamente, quando quatro rapazes invadiram o mundo com seus cabelos em cuia, terninhos bem talhados, botinhas de salto alto e, logicamente, uma cabedal de músicas que, além de soar muito bem aos ouvidos, tinha um poder mágico de arrebatar sentimentos, de redirecionar caminhos. Tinha algo realmente novo no ar.
Abduzidos por aquele som totalmente inovador e atrativo, os garotos da minha época inventaram um novo inglês.

Lembro-me ainda de Love me Do e She Loves You (yeah,yeah,yeah) estourando nas rádios e conquistando a molecada de forma endêmica. Era a febre, a Beatlemania. Nos cadernos de música, virava “Lóvmi Dú” ou “Chilóziu” numa língua tão estranha que deixaria Champolion com cara de pateta, tal o grau de incompreensividade. Mas o que importava era o som, o balanço, a onda.

Santos incorporou um certo clima de Liverpool

A cada esquina dos bairros de Santos e São Paulo, principalmente, começavam a se formar os “conjuntos” que tentavam, a qualquer preço, imitar os Beatles.

Afora detalhes que posteriormente vou contar, como por exemplo, a dificuldade de se conseguir instrumentos musicais, um detalhe interessante deve ser considerado nisto tudo: Por onde teria entrado, afinal, o Rock and Roll da era P.B (Post Beatles?).

Pelo Porto de Santos, é claro! Não sei se por uma química mágica ou por fatores que incorporam uma certa semelhança desta cidade portuária com Liverpool: cidade portuária com direito até ao “fog” que, vez em quando, deixava as silhuetas e os neons um tanto sobrenaturais.

De uma coisa estou certo: Pelo Porto de Santos, os navios não trouxeram somente mercadorias. Em meio aos pallets de então (containers estavam em fase de projeto), o rock and roll veio de “carona”, pelas mãos dos marinheiros que, através do contato com os músicos barulhentos das Boites das Bocas do Porto, que começavam a botar para escanteio a geração “bolero”, traziam discos de vinil e instrumentos.

É lógicos que as rádios tiveram papel fundamental, mas eu diria que o epicentro do terremoto do Rock, a verdadeira contaminação cultural, entrou mesmo pelo porto e seguiu caminho, em primeiro, pelos inferninhos das Bocas, tais como Bergen Bar, Zanzi Bar, Suomi, Hamburg Bar, Oslo Bar entre outros, que pelos próprios nomes de batismo deixava claro qual o público-alvo.

Não se pode esquecer dos proprietários dos bares, como o Seo Abel, Alvo Abdalla, Seo Julio e Augustinho, Vadão, Oscar, entre outros, que cederam espaço aos músicos, dando início ao redesenho cultural da época.

BEATLES E ROLLING STONES

Interessante efeito aconteceu na cidade à medida em que, perto do final dos anos 60, começaram a pipocar outras bandas de rock inglesas como Hollies, Led Zeppelin, The Who e os Rolling Stones, principalmente.

Do lado americano, Jimmy Hendrix, Jefferson Airplane, Deep Purple e o canadense Rush, sob meu ponto de vista, foram as únicas contribuições de peso ao rock mundial de então. Tínhamos pérolas como Simon & Garfunkel, Emmerson Lake & Palmer, mas algo mais comportado. Aqui eu falo de “pauleira”.

Na verdade, a poderosa máquina de produzir rock and roll, vinha mesmo das terras Vitorianas.
Mas o efeito de que falo refere-se à inegável influência dos “bonzinhos “ Beatles, e dos “sujos e malcriados” Rolling Stones, capitaneados por Mick Jagger, sobre aquela geração de músicos.

Muito interessante: enquanto bandas da orla como Black Cats ( Blow Up), Pop Six, New Zago, Stylo Set, Phase, Teenagers entre outros, incorporavam uma filosofia “Beatle”, os meninos lotados nas boites das Bocas assumiram uma postura Rolling Stone, provavelmente porque estes falavam diretamente à um universo de prostituição, fumo, álcool, incerteza, sofrimento e muita revolta.

Então forma-se a “banda podre“ do rock santista, mas nem por isso de baixa qualidade musical. Ao contrário, os músicos do baixo clero eram exímios e aprendiam na prática. Na verdade, a “pegada” das bocas tinha algo de diferente, profundo e de lamento, ao passo que os meninos da “banda limpa” eram donos de um som cristalino, mavioso e bem comportado. Igualmente excelente.

Tive sorte de viver os dois, em perfeito equilíbrio. A partir dos 17 anos, em grandes temporadas nas Bocas como “ free Singer”, fiz amizades com músicos excelentes, como Vigna, Gennaro Ricardo, Zito, Lello, Jackson Satanás entre muitos outros. Mirão, Tony, Lory e Rico foram os “fab four” das Bocas que melhor incorporaram a entidade Rolling Stones, formando o inesquecível quarteto Union Beat, sem nenhum questionamento, uma das melhores bandas que o Brasil já viu, em se tratando de Rock and Roll. Se não foram mais conhecidos, é porque esbarraram no preconceito pelo fato de serem músicos de “puteiro” e porque a mídia sempre manteve uma postura medíocre em relação aos verdadeiros valores santistas. Tanto o é que, mesmo sendo celeiro de grandes talentos, apenas muito poucos conseguem a merecida projeção. Pior: isto continua até nossos dias, quando o “marketing” se sobrepõe ao talento.

Mas voltemos à Rua João Octávio, numa certa noite do final dos anos 60 quando os inferninhos ferviam sob o som das guitarras dos nossos “Stones”.
Invariavelmente a fumaça de cigarros era comum a todas e, vez em quando, devido ao exagero na bebida e drogas, “estourava” um “pau” que sempre era acalmado, após narizes quebrados e putas feridas, pela PE ( Polícia do Exército), os “récos” como eram chamados.

Eu mesmo, certa vez, testemunhei um “racha” destes, no Hamburg Bar, entre Alemães e Coreanos, digna de verdadeiros gladiadores. Atrás do palco, lembro-me, havia uma quartinho, espécie de camarim do inferno, onde os músicos descansavem e faziam malcriações nos intervalos. E foi pra lá que eu corri à primeira garrafa que estourou na parede do palco. Fui seguido pelo Satanás (Guitarra), Tico( bateria) e pelo Lello ( baixo) e, de lá, ouvimos nada menos que uns 15 minutos de pura pancadaria. Quando a P.E finalmente baixou a poeira, lembro de ter visto gente caída no chão, rostos ensangüentados e gringos tomando borrachada da polícia.

Parecia obra de seguidores de Bin Laden, no melhor estilo homem-bomba: o bar estava completamente destruído; para se ter uma idéia, um banco fixo ao chão havia sido arrancado por um marinheiro coreano para ir repousar no meio dos cornos de um marinheiro alemão.

AS GRANDES DIFERENÇAS

E assim, neste panorama dantesco, as diferenças se contrapunham entre as bandas “dirties” das bocas e as “polites” da orla. Enquanto as primeiras tocavam para um público formado por marinheiros, putas, travestis e cafetões, as segundas embalavam os bailes que os clubes chiques da orla marítima promoviam para seus jovens de classe alta e média-alta, abastados comerciantes e autoridades.

Nesta época, eu freqüentava os dois mundos: dava canjas nas Bocas e tocava nas domingueiras do Internacional com a banda Fire Emotion formado por Luiz na bateria, Ronaldo Rodrigues na guitarra base ( este cantava pra caralho e não ficava devendo nada a David Gates) Lourival Bilú Crooner, eu, este dinossauro que vos fala, no Baixo e vocais, e no lead guitar, nada menos que Roberto Shyniashiki, com sua Vox vermelha que infernizava os vizinhos, hoje famoso escritor de auto-ajuda.

Bailes no Saldanha, Atlético Santista e principalmente o Clube Internacional eram exemplos destes eventos recheados de bom comportamento e onde, ao menor sinal de “fumaça”, a S.W.A.T entrava em ação. Inaceitável!
No “Poor side of the town”, no entanto, a coisa era bem diferente, bem mais suja.

O “BEM” E O “MAL” DIVIDINDO ESPAÇO

Certa vez pude vivenciar esta grandes diferenças, num raríssimo encontro entre o Bem e o Mal: no Vasco da Gama, numa domingueira, duelaram Blow Up e Union Beat. Ali, pelo menos para mim, ficaram claríssimas as grandes diferenças, não só a partir do repertório de cada uma das bandas, como também do comportamento de seus componentes.

Notei, o jeito esculhambado e sarcástico do Union Beat onde roupas e cabelos agrediam os olhos e os músicos gesticulavam, falavam audíveis palavrões, fumavam e cuspiam no palco. Isto não se verificava no Blow Up, cujos componentes eram visivelmente asseados, comportados, e de gestos elegantes. Eram meninos de boa família, enquanto os outros, cães-sem-dono vindos não sei de onde e que se encontraram nas Bocas, apenas atraídos pelo rock and roll.

Não houve vencedor porque, indiscutivelmente, ambos, como já citei, eram excelentes, ainda que de “estirpes” diferentes e, mantendo suas díspares características, brindaram o público hipnotizado, com o melhor do rock de então.
Uma noite inesquecível onde, ao final, não se saberia bem a quem idolatrar. O Bem ou o Mal, o limpo ou o sujo. Na dúvida, ficamos com os dois!

Bardhal
Em homenagem aos músicos Santistas das décadas de 60 a 80

FOTOS: Arquivo pessoal do Vigna

 
Postado por Lucas Krempel ( originalmente no Blog a História do ROCK SANTISTA )

Pense Em Mim

Leandro & Leonardo

Composição : Douglas Maio / José Ribeiro / Mário Soares

Em vez de você ficar pensando nele,
Em vez de você viver chorando por ele,
Pense em mim, chore por mim,
Liga pra mim, não, não liga pra ele,
Pra ele! Não chore por ele!

Se lembre que eu há
Muito tempo te amo! Te amo! Te amo!
Quero fazer você feliz!
Vamos pegar o primeiro FURGÃO
Com destino a felicidade.
A felicidade pra mim é você.

__________________________

Contava meus 14 anos quando  fui apresentado ao Mário (ele morava nas bandas do Parque São Vicente, longe prá caráio de casa), por um vizinho apelidado de ZÉ DA ROSA (garçom da diretoria da Cosipa).

O Mário Soares tinha um conjunto, com os irmãos, que tocava profissionalmente na “Boca de Santos”.

O negão,  já naquela época, tocava qualquer porcaria para sobreviver, mas gostava mesmo é do Black Sabbath .

Ele tinha comprado uma   Ookpik – modelo SG preta ( influência do Tony Iommi ); assim me vendeu a  Snake como se fosse uma Céllio (luthier Santista).

A guitarrinha tem captadores e ferragens fabricadas pelo Céllio, mas como cortaram o headstock ( deveria ser longo para 12 cordas ), não tinha marca. Os knobs trazem a marca santista; assim acredito que o Mário também pegou como Céllio.

O próprio Céllio (o filho), em 2006, ao reformá-la, confirmou que as peças foram fabricadas em Santos; o braço parecido aos desenvolvidos e fabricados pelo pai nos anos 1960. Contudo, o modelo não era deles. Explicou-me que vendiam componentes sob encomenda para outros fabricantes.

Posteriormente vi uma foto de um exemplar semelhante ao meu  no site na Snake( ver imagem abaixo ).

A única certeza:  a guitarrinha tem mais de 40 anos.

O Mário Soares, meses depois, me vendeu um pedal Malagoli (wha, wha, volume e distorção – imitação dos Morley).  Aplicando-me um grande 171, pois aquilo, além de bem fudido, era uma merda.

Vendeu caro, pois afirmava ter pertencido a dois grandes guitarristas de São Vicente ( embora tocassem nas “bocas”  de Santos ).

O  falecido RICO:  um músico genial e de certa fama;  tocou e gravou com o Quinteto Violado, inclusive.

E também pisado pelos pés do guitarrista Satanás (Satanás da Guitarra, um maluco que tocava como  Jimi Hendrix e quebrava guitarras ( do alheio |)  nas “Bocas”; que teria feito parte da banda do Dedo e Dino – com eles gravou as guitarras da música CORUJA – até ser despedido por ser “muito louco” ).  Com toda essa conversa comprei o bagulho como se fosse um trófeu.

O pedal não sei que fim levou, embora não o tenha vendido. Deve ter ido prá lata de lixo.

O Mário, a última vez que soube dele, tocava na churrascaria Boi-Bão (na Praia Grande). Dizem que a canção PENSE EM MIM só deu fama e fortuna para o Leandro e Leonardo.

O Zé da Rosa, na verdade JOSÉ ANSELMO, virou dono de restaurante em Bertioga. Gravou um disco chamado MATA ATLÂNTICA.

Enfim, espero que o Zé e o Mário estejam vivos e bem. O Rico, alguns anos atrás, salvo engano estaria  trabalhando com a Orquestra Sílvio Mazuca,  morreu afogado (nas águas do mar).

O “Satanás” dizem que virou borracheiro e morreu afogado na PINGA ( não sei se é verdade ).

A minha primeira guitarrinha vai bem, obrigado!

SNAKE ( bem acompanhada )

Imagem do site da Snake

Satanás( direita ); Rico ( esquerda )