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Contavam a estória de que disseram a Eddie Hazel que mãe acabara de morrer; ele em seguida improvisou Maggot Brain para perpetuar sua dor. Mentira!

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Hard Rock nos anos 80 e a permanência no cenário paulista



São Vicente x Santos
Dependendo do que você escutasse você era considerado Playboy. A turma de São Vicente era mais heavy metal que a de Santos.

O baile de São Vicente era mais Heavy Metal que o de Santos. E realmente o pessoal de São Vicente era mais unido e corriam mais atrás das novidades. O povo de Santos não era tão unido. Era raro, mas, às vezes surgia um quebra-pau. Mas quando abri a loja, estes conflitos sumiram.
No começo dos anos 80 era muito legal. Você saia na rua de cabelo comprido e alguém já gritava: “Olha o Johnn Lennon”. Na época era um radicalismo total. Se não gostava de Heavy Metal era Playboy.
Alexandre Serrano Macia, o Pepinho da Metal Rock

fonte A HISTÓRIA DO ROCK SANTISTA

quinta-feira, 8 de março de 2007

Assim eram as bocas

Texto: Bardhal / Lucas Krempel
Dezembro de 1969
Quando desceu do Volkswagen verde do Mário Serra, crooner da banda Paralelo 23, o baixista Bardhal não poderia imaginar que uma surpresa chocante o aguardava em sua primeira incursão às famosas Bocas do Porto de Santos: um corpo encontrava-se no chão de paralelepípedos, semi-encoberto por um jornal, o mesmo onde o falecido seria, provavelmente, parte do noticiário policial.

Foi um verdadeiro choque e o músico foi tomado por um horror que ainda não havia experimentado.
O baixista passou a sua infância no antigo bairro do Marapé, mais precisamente a umas duas quadras do famigerado “pé do morro” onde proliferavam os mais temidos bandidos da época. Havia presenciado cenas dignas dos melhores filmes de faroeste tupiniquim, mas, assassinato mesmo ainda não tinha visto.

E estava lá “o corpo estendido no chão” mais precisamente meio corpo calçada acima e pernas abertas para o leito carroçável. Nada mais que um punhado de putas e espectadores rodeavam o corpo que ganhava um efeito sinistro causado pela luz vermelha piscante do camburão preto e branco da polícia civil que se encarregava dos procedimentos de praxe.

Mas o rock and roll convidava para uma exploração mais profunda e isto requeria um pouco de coragem, pois, o ano de 1969 consolidava a entrada do rock da era Beatles no país e, invariavelmente, os navios traziam, além de mercadorias, os compactos e elepês dos grupos britânicos Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who entre outros.

Assim, as boites das Bocas do Porto de Santos não eram só um pólo de diversão sexual para os marinheiros que formavam uma verdadeira Babel naquele trecho da cidade. Foi lá que os primeiros grupos de músicos iniciavam a revolucionária história do rock no Brasil, através da influência avassaladora da Beatlemania que trazia em sua esteira a sede os mais variados e hipnotizantes sons até então desconhecidos.

As noites das Bocas expressavam então, a profunda transição de estilo musical que antes se concentrava em um comportamento mais polido de músicos engravatados e que costumavam se apresentar também no lendário e igualmente especial Parque Balneário Hotel que existia na esquina da Avenida Ana Costa com a Praia, o qual, rendido a interesses comerciais, foi demolido para prejuízo irrecuperável da história da cidade.

Nesta época, o máximo da travessura musical se resumia ao rockabilly, que disputava, com fraqueza, espaço entre mambos, boleros e o samba de breque. Mas, como saídos de uma nave espacial alienígena, os “conjuntos” de rock começavam a invadir os bares e aos poucos, roubando a cena.

Os cabeludos causavam espanto àquela altura dos acontecimentos, mas os donos dos night clubs tiveram faro suficiente para sacar a preferência dos marinheiros pela agitação daquele som inovador. Pelo que se consta, um dos primeiros incentivadores da nova onda foi o “Seo Abel” do Oslo Bar que cedeu espaço aos Lovers, formado por Vigna, Velha, Carlinhos e Satanás.

Assim estava traçado o caminho do rock, sob a regência de um bando de jovens tidos na época como “transviados” cuja arte atraia marinheiros sedentos de diversão e sexo e as putas, sabiamente treinadas para torrar os dólares de seus clientes e ganhar comissões tentadoras.

Depois de curtir a noite embalada por suor, tabaco, bebidas alcoólicas, drogas e o som das guitarras ensurdecedoras, levavam suas presas para os hotéis pulguentos das cercanias e lá, terminavam o serviço. Muitos “gringos” como eram conhecidos os marinheiros, sob efeito de álcool e drogas, eram roubados ao final dos programas, mas registraram-se muitos casos onde se apaixonaram verdadeiramente pelas prostitutas, casaram-se e formaram família, no melhor estilo ”lavou tá novo”.

Os bares, ou night clubs, eram batizados segundo uma estratégia de marketing que parecia funcionar e, ao mesmo tempo, dava um toque cosmopolita à Boca Santista: Bergen, Suomi, Oslo, Zanzibar, Porto Rico, American Bar, Hamburg Bar, Akropolis, Casablanca, entre outros, com seus luminosos em neon a piscar eternamente na mente de quem por ali passou.

Naquela noite, nem mesmo aquele corpo estendido faria Bardhal recuar. O músico foi acompanhado pelos amigos Mário Serra (crooner), Acácio (percussão) e Flávio Ligadinho (bateria) de bar em bar para escutar o som de que tanto ouvia falar.

Bardhal foi arrebatado, literalmente, quando entrou no Hamburg Bar e viu aquele ambiente totalmente estranho e onde a luz negra causava um efeito fantasmagórico nos corpos que se moviam ao som ensurdecedor das guitarras elétricas e os vocais carbonados com maestria, ainda que num inglês irreconhecível.
Ficou parado na entrada, estupefato, narcotizado por cenas que jamais imaginara testemunhar. Era a magia das Bocas.

Naquela época o músico havia sido convidado para ser o baixista do grupo Paralelo 23, “título” que conferia trafegar pelo mundos das bandas (conjuntos) mesmo que sob o preconceitos dos grupos maiores e de mais prestígio, como Pop Six, Teenagers e pelo excepcional Black Cats ( Blow Up). Ou seja, Bardhal já ouvia muito rock da Era Beatles, mas ainda não havia experimentado aquele tipo de sensação de estar em um “outro mundo”, repleto de personagens de um conto surreal que misturava idiomas, costumes, sexo, drogas e rock and roll.

Não se pode explicar porque aquela onda chegou com tanta força, mas é inegável o arrebatamento de toda uma geração que se rendeu ao rock, principalmente o produzido na Inglaterra. Muitos jovens largaram seus estudos na tentativa se tornarem músicos. Buscavam a fama, dinheiro fácil e prestígio, sob influência dos astros do rock de então cujas vidas eram largamente exploradas pela mídia. A maioria se deu mal a julgar pela falta de condições culturais adequadas em um país que pouco sabe ou se interessa em incentivar seus talentos e também pela falta de interesse em estudar e estabelecer metas para suas carreiras. Alguns alcançaram seu objetivo por mérito, esforço e uma boa dose de sorte.

Na época, a maioria dos rapazes estavam interessados em mergulhar de cabeça no rock e, por conta disto, eram músicos e holders ao mesmo tempo; carregavam a aparelhagem, montavam, tocavam com fervor, desmontavam, carregavam e descarregavam.

Os equipamentos de então, ainda que escassos, eram robustos e pesadíssimos como os Tremendões e True Reverbs, da Gianinni, para guitarras e os acanhados Phelpas “pirulito” que os músicos usavam para a voz, antes da própria Gianinni lançar os “ musts” A100, A200 e A300. Verdadeiro exercício de força física e de vontade.

Chegavam em casa junto com o Sol, quando não com chuva, mas sem reclamar e satisfeitos por “estrelarem” naquele admirável mundo do novo rock. Bardhal começou a trabalhar muito cedo e, desde o início, percebeu que viver como boêmio, não combinava com a sua personalidade.

E foi assim que se apaixonou pelo rock, pela noite e pelas Bocas, sem no entanto deixar de ser comportado, caretão. Um amor que venceu as décadas e que permanece até hoje, quando, curiosamente, reencontra alguns amigos daquela época de ouro e, fantasticamente, volta ao palco, resgatando uma parte das emoções de uma das mais lindas páginas da sua vida, o rock and roll.

Aos poucos o baixista se tornou querido pelos músicos e chegou até a receber ofertas de consumo gratuito do “Seo Júlio” um português de bigodinho estilo Clark Gable que gostava da sua voz e do seu jeito de animar os gringos.

FOTOS: De cima para baixo… 1)Véia,Vigna e Ricardo no Microfonia – Santos, 1971 …2) Bardhal em ação

Anos 60/70 – Rock das Bocas x Rock dos Clubes

 
Enquanto eu trabalhava com os capítulos dos anos 80, 90 e 00, um conhecido do meu pai, apareceu no orkut com muitas histórias interessantes sobre o início do rock santista. Com um belo texto, rico em detalhes e muita disposição para escrever, não pensei duas vezes, chamei Bardhal, um dos grandes roqueiros da década da beatlemania para me ajudar no projeto. Uma prévia da ajuda dele vocês podem conferir abaixo.

Lucas Krempel

Amava os Beatles e os Rolling Stones

Texto: Bardhal

Muito se fala sobre a radical influência que o Rock and Roll, da era “Depois dos Beatles”, teve na cultura dos anos 60 a 80 no Brasil.

Como um “dinossauro do rock” posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que não sou apenas uma testemunha ocular desse acontecimento, como também vivi, na pele de músico amador, os efeitos desta incrível onda iniciada pelos quatro rapazes que mudaram definitivamente a história e o destino de Liverpool. E do mundo.

Lembro-me que no final dos anos 50 e até o início da década de 60, a moçada requebrava as cadeiras ao som de Elvis Presley, Bill Halley, Chubby Checker, Beach Boys, Dell Chanon, Don Taylor, Triny Lopez entre outros.

Ray Conniff e Herb Albert & Tijuana Brass completavam o menu que embalavam os bailinhos onde as meninas ainda usavam cabelos armados (colocavam bombril e laquê pra dar volume) e saias compridas de estampado berrante. Tecido de bolinhas e lenço na cabeça era o “must”, tendo cinturas sufocadamente afinadas por cintos de grandes fivelas, óculos tipo “gatinho”, meia soquete e, é claro, os chicletes. Ronnier Cord subia a Rua Augusta a 120 km por hora e o biquíni amarelinho ainda era um “desbunde“.

Mas, de repente, tudo começou a mudar, muito rapidamente, quando quatro rapazes invadiram o mundo com seus cabelos em cuia, terninhos bem talhados, botinhas de salto alto e, logicamente, uma cabedal de músicas que, além de soar muito bem aos ouvidos, tinha um poder mágico de arrebatar sentimentos, de redirecionar caminhos. Tinha algo realmente novo no ar.
Abduzidos por aquele som totalmente inovador e atrativo, os garotos da minha época inventaram um novo inglês.

Lembro-me ainda de Love me Do e She Loves You (yeah,yeah,yeah) estourando nas rádios e conquistando a molecada de forma endêmica. Era a febre, a Beatlemania. Nos cadernos de música, virava “Lóvmi Dú” ou “Chilóziu” numa língua tão estranha que deixaria Champolion com cara de pateta, tal o grau de incompreensividade. Mas o que importava era o som, o balanço, a onda.

Santos incorporou um certo clima de Liverpool

A cada esquina dos bairros de Santos e São Paulo, principalmente, começavam a se formar os “conjuntos” que tentavam, a qualquer preço, imitar os Beatles.

Afora detalhes que posteriormente vou contar, como por exemplo, a dificuldade de se conseguir instrumentos musicais, um detalhe interessante deve ser considerado nisto tudo: Por onde teria entrado, afinal, o Rock and Roll da era P.B (Post Beatles?).

Pelo Porto de Santos, é claro! Não sei se por uma química mágica ou por fatores que incorporam uma certa semelhança desta cidade portuária com Liverpool: cidade portuária com direito até ao “fog” que, vez em quando, deixava as silhuetas e os neons um tanto sobrenaturais.

De uma coisa estou certo: Pelo Porto de Santos, os navios não trouxeram somente mercadorias. Em meio aos pallets de então (containers estavam em fase de projeto), o rock and roll veio de “carona”, pelas mãos dos marinheiros que, através do contato com os músicos barulhentos das Boites das Bocas do Porto, que começavam a botar para escanteio a geração “bolero”, traziam discos de vinil e instrumentos.

É lógicos que as rádios tiveram papel fundamental, mas eu diria que o epicentro do terremoto do Rock, a verdadeira contaminação cultural, entrou mesmo pelo porto e seguiu caminho, em primeiro, pelos inferninhos das Bocas, tais como Bergen Bar, Zanzi Bar, Suomi, Hamburg Bar, Oslo Bar entre outros, que pelos próprios nomes de batismo deixava claro qual o público-alvo.

Não se pode esquecer dos proprietários dos bares, como o Seo Abel, Alvo Abdalla, Seo Julio e Augustinho, Vadão, Oscar, entre outros, que cederam espaço aos músicos, dando início ao redesenho cultural da época.

BEATLES E ROLLING STONES

Interessante efeito aconteceu na cidade à medida em que, perto do final dos anos 60, começaram a pipocar outras bandas de rock inglesas como Hollies, Led Zeppelin, The Who e os Rolling Stones, principalmente.

Do lado americano, Jimmy Hendrix, Jefferson Airplane, Deep Purple e o canadense Rush, sob meu ponto de vista, foram as únicas contribuições de peso ao rock mundial de então. Tínhamos pérolas como Simon & Garfunkel, Emmerson Lake & Palmer, mas algo mais comportado. Aqui eu falo de “pauleira”.

Na verdade, a poderosa máquina de produzir rock and roll, vinha mesmo das terras Vitorianas.
Mas o efeito de que falo refere-se à inegável influência dos “bonzinhos “ Beatles, e dos “sujos e malcriados” Rolling Stones, capitaneados por Mick Jagger, sobre aquela geração de músicos.

Muito interessante: enquanto bandas da orla como Black Cats ( Blow Up), Pop Six, New Zago, Stylo Set, Phase, Teenagers entre outros, incorporavam uma filosofia “Beatle”, os meninos lotados nas boites das Bocas assumiram uma postura Rolling Stone, provavelmente porque estes falavam diretamente à um universo de prostituição, fumo, álcool, incerteza, sofrimento e muita revolta.

Então forma-se a “banda podre“ do rock santista, mas nem por isso de baixa qualidade musical. Ao contrário, os músicos do baixo clero eram exímios e aprendiam na prática. Na verdade, a “pegada” das bocas tinha algo de diferente, profundo e de lamento, ao passo que os meninos da “banda limpa” eram donos de um som cristalino, mavioso e bem comportado. Igualmente excelente.

Tive sorte de viver os dois, em perfeito equilíbrio. A partir dos 17 anos, em grandes temporadas nas Bocas como “ free Singer”, fiz amizades com músicos excelentes, como Vigna, Gennaro Ricardo, Zito, Lello, Jackson Satanás entre muitos outros. Mirão, Tony, Lory e Rico foram os “fab four” das Bocas que melhor incorporaram a entidade Rolling Stones, formando o inesquecível quarteto Union Beat, sem nenhum questionamento, uma das melhores bandas que o Brasil já viu, em se tratando de Rock and Roll. Se não foram mais conhecidos, é porque esbarraram no preconceito pelo fato de serem músicos de “puteiro” e porque a mídia sempre manteve uma postura medíocre em relação aos verdadeiros valores santistas. Tanto o é que, mesmo sendo celeiro de grandes talentos, apenas muito poucos conseguem a merecida projeção. Pior: isto continua até nossos dias, quando o “marketing” se sobrepõe ao talento.

Mas voltemos à Rua João Octávio, numa certa noite do final dos anos 60 quando os inferninhos ferviam sob o som das guitarras dos nossos “Stones”.
Invariavelmente a fumaça de cigarros era comum a todas e, vez em quando, devido ao exagero na bebida e drogas, “estourava” um “pau” que sempre era acalmado, após narizes quebrados e putas feridas, pela PE ( Polícia do Exército), os “récos” como eram chamados.

Eu mesmo, certa vez, testemunhei um “racha” destes, no Hamburg Bar, entre Alemães e Coreanos, digna de verdadeiros gladiadores. Atrás do palco, lembro-me, havia uma quartinho, espécie de camarim do inferno, onde os músicos descansavem e faziam malcriações nos intervalos. E foi pra lá que eu corri à primeira garrafa que estourou na parede do palco. Fui seguido pelo Satanás (Guitarra), Tico( bateria) e pelo Lello ( baixo) e, de lá, ouvimos nada menos que uns 15 minutos de pura pancadaria. Quando a P.E finalmente baixou a poeira, lembro de ter visto gente caída no chão, rostos ensangüentados e gringos tomando borrachada da polícia.

Parecia obra de seguidores de Bin Laden, no melhor estilo homem-bomba: o bar estava completamente destruído; para se ter uma idéia, um banco fixo ao chão havia sido arrancado por um marinheiro coreano para ir repousar no meio dos cornos de um marinheiro alemão.

AS GRANDES DIFERENÇAS

E assim, neste panorama dantesco, as diferenças se contrapunham entre as bandas “dirties” das bocas e as “polites” da orla. Enquanto as primeiras tocavam para um público formado por marinheiros, putas, travestis e cafetões, as segundas embalavam os bailes que os clubes chiques da orla marítima promoviam para seus jovens de classe alta e média-alta, abastados comerciantes e autoridades.

Nesta época, eu freqüentava os dois mundos: dava canjas nas Bocas e tocava nas domingueiras do Internacional com a banda Fire Emotion formado por Luiz na bateria, Ronaldo Rodrigues na guitarra base ( este cantava pra caralho e não ficava devendo nada a David Gates) Lourival Bilú Crooner, eu, este dinossauro que vos fala, no Baixo e vocais, e no lead guitar, nada menos que Roberto Shyniashiki, com sua Vox vermelha que infernizava os vizinhos, hoje famoso escritor de auto-ajuda.

Bailes no Saldanha, Atlético Santista e principalmente o Clube Internacional eram exemplos destes eventos recheados de bom comportamento e onde, ao menor sinal de “fumaça”, a S.W.A.T entrava em ação. Inaceitável!
No “Poor side of the town”, no entanto, a coisa era bem diferente, bem mais suja.

O “BEM” E O “MAL” DIVIDINDO ESPAÇO

Certa vez pude vivenciar esta grandes diferenças, num raríssimo encontro entre o Bem e o Mal: no Vasco da Gama, numa domingueira, duelaram Blow Up e Union Beat. Ali, pelo menos para mim, ficaram claríssimas as grandes diferenças, não só a partir do repertório de cada uma das bandas, como também do comportamento de seus componentes.

Notei, o jeito esculhambado e sarcástico do Union Beat onde roupas e cabelos agrediam os olhos e os músicos gesticulavam, falavam audíveis palavrões, fumavam e cuspiam no palco. Isto não se verificava no Blow Up, cujos componentes eram visivelmente asseados, comportados, e de gestos elegantes. Eram meninos de boa família, enquanto os outros, cães-sem-dono vindos não sei de onde e que se encontraram nas Bocas, apenas atraídos pelo rock and roll.

Não houve vencedor porque, indiscutivelmente, ambos, como já citei, eram excelentes, ainda que de “estirpes” diferentes e, mantendo suas díspares características, brindaram o público hipnotizado, com o melhor do rock de então.
Uma noite inesquecível onde, ao final, não se saberia bem a quem idolatrar. O Bem ou o Mal, o limpo ou o sujo. Na dúvida, ficamos com os dois!

Bardhal
Em homenagem aos músicos Santistas das décadas de 60 a 80

FOTOS: Arquivo pessoal do Vigna

 
Postado por Lucas Krempel ( originalmente no Blog a História do ROCK SANTISTA )

Pense Em Mim

Leandro & Leonardo

Composição : Douglas Maio / José Ribeiro / Mário Soares

Em vez de você ficar pensando nele,
Em vez de você viver chorando por ele,
Pense em mim, chore por mim,
Liga pra mim, não, não liga pra ele,
Pra ele! Não chore por ele!

Se lembre que eu há
Muito tempo te amo! Te amo! Te amo!
Quero fazer você feliz!
Vamos pegar o primeiro FURGÃO
Com destino a felicidade.
A felicidade pra mim é você.

__________________________

Contava meus 14 anos quando  fui apresentado ao Mário (ele morava nas bandas do Parque São Vicente, longe prá caráio de casa), por um vizinho apelidado de ZÉ DA ROSA (garçom da diretoria da Cosipa).

O Mário Soares tinha um conjunto, com os irmãos, que tocava profissionalmente na “Boca de Santos”.

O negão,  já naquela época, tocava qualquer porcaria para sobreviver, mas gostava mesmo é do Black Sabbath .

Ele tinha comprado uma   Ookpik – modelo SG preta ( influência do Tony Iommi ); assim me vendeu a  Snake como se fosse uma Céllio (luthier Santista).

A guitarrinha tem captadores e ferragens fabricadas pelo Céllio, mas como cortaram o headstock ( deveria ser longo para 12 cordas ), não tinha marca. Os knobs trazem a marca santista; assim acredito que o Mário também pegou como Céllio.

O próprio Céllio (o filho), em 2006, ao reformá-la, confirmou que as peças foram fabricadas em Santos; o braço parecido aos desenvolvidos e fabricados pelo pai nos anos 1960. Contudo, o modelo não era deles. Explicou-me que vendiam componentes sob encomenda para outros fabricantes.

Posteriormente vi uma foto de um exemplar semelhante ao meu  no site na Snake( ver imagem abaixo ).

A única certeza:  a guitarrinha tem mais de 40 anos.

O Mário Soares, meses depois, me vendeu um pedal Malagoli (wha, wha, volume e distorção – imitação dos Morley).  Aplicando-me um grande 171, pois aquilo, além de bem fudido, era uma merda.

Vendeu caro, pois afirmava ter pertencido a dois grandes guitarristas de São Vicente ( embora tocassem nas “bocas”  de Santos ).

O  falecido RICO:  um músico genial e de certa fama;  tocou e gravou com o Quinteto Violado, inclusive.

E também pisado pelos pés do guitarrista Satanás (Satanás da Guitarra, um maluco que tocava como  Jimi Hendrix e quebrava guitarras ( do alheio |)  nas “Bocas”; que teria feito parte da banda do Dedo e Dino – com eles gravou as guitarras da música CORUJA – até ser despedido por ser “muito louco” ).  Com toda essa conversa comprei o bagulho como se fosse um trófeu.

O pedal não sei que fim levou, embora não o tenha vendido. Deve ter ido prá lata de lixo.

O Mário, a última vez que soube dele, tocava na churrascaria Boi-Bão (na Praia Grande). Dizem que a canção PENSE EM MIM só deu fama e fortuna para o Leandro e Leonardo.

O Zé da Rosa, na verdade JOSÉ ANSELMO, virou dono de restaurante em Bertioga. Gravou um disco chamado MATA ATLÂNTICA.

Enfim, espero que o Zé e o Mário estejam vivos e bem. O Rico, alguns anos atrás, salvo engano estaria  trabalhando com a Orquestra Sílvio Mazuca,  morreu afogado (nas águas do mar).

O “Satanás” dizem que virou borracheiro e morreu afogado na PINGA ( não sei se é verdade ).

A minha primeira guitarrinha vai bem, obrigado!

SNAKE ( bem acompanhada )

Imagem do site da Snake

Satanás( direita ); Rico ( esquerda )

Pai Nosso que está no céu, santificado é  o seu nome.

Venha a nós o seu reino;seja feita a sua vontade na terra e no céu.

O pão nosso de cada dia nos dê  hoje.

Perdoe  as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.

Não nos deixe cair em tentação.

E nos livre do Mal.

Amém! 

( P.S.:  Pai nosso que está no céu; livrai-nos do guitarrista do Oficina G3…

Também! )

VIOLÃO PARA TOCAR SENTADO NO TRONO DO W.C.

Muitos discordarão, mas a referida empresa – amparada por leis que proibiam a importação de produtos considerados supérfluos pelos governos militares – durante mais de duas décadas praticamente  monopolizou o mercado de instrumentos e equipamentos destinados aos brasileiros. Produzindo imitações medíocres e mercadorias  verdadeiramente vagabundas: de encordoamentos com “ball end” de plástico ( que estouravam ao primeiro bend de meio tom ), a amplificadores valvulados que , de tão ruins, obrigavam os músicos a utilizá-los de cabeça para baixo, pois em posição normal as válvulas se desprendiam dos soquetes.

Pior:  sempre fez por merecer a denominação  CARCAMANO. Vendia porcaria a peso de ouro, mais caros que importados de primeira qualidade, verdadeiro assalto aos consumidores. Infelizmente ainda não faliu.  E  muitos trouxas, possivelmente movidos pela nostalgia , ainda reverenciam  bagulheira como os Tremendões, Valiantes, as Supersonics, Diamonds, Craviolas e Folks feitos de laminados tipo Eucatex e Duratex; com acabamento sintético. Em madeira maciça só a cara- de-pau de peroba dos proprietários.

Titio Artrite recomenda aos mais jovens que  jamais toquem  em algo dessa marca: SUAS MÃOS IRÃO FEDER!  

POR FORA BELA VIOLA

Dizem que todo guitarrista deveria possuir três guitarras: uma Les Paul Standard, uma Fender Strato e uma Fender Tele. Tenho mais de quarenta.

Entretanto,  depois de muitos anos, muitas experiências tristes e muita grana queimada, posso afirmar que guitarra é como mulher: A GENTE SÓ É FELIZ  DE VERDADE COM UMA…

E aquela mais magrinha, apagada, que não desperta grande atenção, é sempre a melhor. A mais amada!

 No meu caso, para ser feliz, basta uma Fender Strato das mais baratas ( como aquelas  americo-chicanas da série California produzidas no final dos anos 90 ). Não necessito das  “Relic”, aquelas clones das fabricadas nas décadas de 50 e 60, do século passado, maquiadas como se fossem peças de antiquário;  com ares de muitos anos de estrada. 

 Coisa bem ao gosto de  idiotas que pagam R$ 1.000,00, ou mais,  por umas calça  jeans de grife  rasgada e desbotada. Ora, não se precisa de um jeans de mais R$ 100,00  para se sentir e se apresentar bem vestido.  Lembrando que qualquer “silvio-santos” (camelô), nas bancas na 25 de Março,  tem as “de marca” por R$ 25,00… rs.  E não falta quem  se exiba desfilando por aí com gato por lebre.  A noite são todos pardos.

A moda hoje, no mundo das guitarristas, são as “relics custom shop”, de  R$ 12.000,00… R$14.000,00…R$ 25.000,00 ; até muito mais. E no mercado de guitarras, também, o que não falta é gata vendida como lebre.

Aliás, falsificação de guitarras é coisa já antiga. Invenção de Japonês, aperfeiçoada pelos demais tigres asiáticos. Para eles que falsificam Ferraris, a falsificação de instrumentos é tão fácil como a falsificação de pastéis. Coitados dos nossos gatos e cachorros!

Quem vive para  colecionar instrumentos  –   para eles que as  grandes indústrias destinam tais “custom shop”, de regra sem nenhuma necessidade de ordem prática, é o típico frustrado-compulsivo que busca recuperar  a paixão musical perdida ou jamais encontrada.

Coleção de guitarras caras é hobby de endinheirados que não tocam porra nenhuma. A cada nova “belezoca” um único orgasmo na data da compra. Depois ele vai alisar, alisar… E nada!  

 Ora,  assim como uma roupa deve ser confeccionada com bom pano corretamente cortado e  costurado com boa linha; uma guitarra deve  ser  construída com uma boa madeira e bons componentes.  Para os fins a que são destinados pouca diferença faz serem totalmente feitas a mão ou por máquinas.  O tempo e uso constante  fará da roupa, por melhor que seja, um trapo velho. Uma  boa guitarra padrão, desde que  conservada com um mínimo de carinho, com o passar dos anos ficará   musical e aparentemente  mais bela. Ainda assim será sempre um pedaço de pau com cordas engenhosamente construído.  A “alma” porventura adquirida se deverá pura e simplesmente à natural acomodação, decorrente do uso, dos materiais: madeira, metal e plásticos.  Guitarra não é vinho; se não for tocada não amadurece. E para quem gosta de comparar guitarras às mulheres, vale as regras da experiência: não precisa vir lacrada, mas não deve ter rodado de mão em mão.

São Hendrix, prá que se pagar uma fortuna por algo “novinho em folha”  maquiado por marcas de quedas e  falsos desgastes?  

Simples, apenas para alimentar o fetiche de guitarristas tão falsos quanto as  falsas “relíquias” com certificado de autenticidade.  

Mas para quem quiser uma guitarrinha honesta, com ares “vintage”, segue uma  receita caseira. Barata e fácil de fazer como pipoca:      
 
Compra uma Fender Chicana ou Japa, modelo anos 50 ou 60, novinha, deixando comigo três meses aqui no litoral. No litoral qualquer coisa fica com ares “vintage” muito rapidamente. Mas primeiro dou uns tombos na coitada: assim fica com cicatrizes de verdade… Desmontada  para não afetar o braço.  Basta acomodar o corpo do instrumento junto ao seu como se  o estivesse tocando, soltando a correia para que ela “normalmente” beije o chão…Batidas à gosto do freguês.

Depois uma Jam com alguns amigos fumantes, para que eles descansem seus cigarros na Head (ficará queimada como a do Clapton, do Hendrix, etc.).  Em seguida  um banho de álcool isopropílico para retirar o brilho do acabamento e, finalizando, meta-lhe a tal esponja “scoth brite” ,  ou lixa de madeira bem fina,  na parte mais central do braço. 

Virará “relic” de fato e direito… rs…

Para as marcas de corrosão nas ferragens nada melhor que ácido de bateria automotiva.

Se gostar de algo mais quente retire o escudo e mande ver fluído de isqueiro (tem que ser Zippo como Hendrix usava), risque o fósforo e deixe queimar por alguns segundos.

Para amarelar as partes plásticas nada melhor que o Sun King…

Atenção: bronzeamento apenas no corpo com as partes plásticas para obter aquele amarelado legal.

O braço jamais! 

Ao estilo Jeff Beck bata com o fundo do corpo no chão e também a ponta da paleta.  

Os mais radicais poderão, ainda, surfar ou fazer a guita de skate.   

Para requintar: compra-se um case original Fender “Tweed (por R$ 350,00)…

O golpe de mestre  final: baixa-se na net aquela papelada da Fender, pedindo para um chegado que tenha uma daquelas HP que fabrica nota de R$ 100,00, para imprimir “a documentação”… rs.

Pronto: alguém poderá ser um feliz proprietário de uma excelente Fender original, vintage, “Relic” , “Hot Rod” ou “Road Worn”  (denominação da “relic” made in México).
 
Uma dica de especialista: GUITARRA AMERICANA “vintage” não tem estampa “MADE IN USA”…

Assim, é só passar a acetona ou o isopropílico no crafted in japan ou made in mexico…

Só não vale,  como muitos pilantras fazem, anunciar no Mercado Livre: vende-se uma Fender pré-CBS, 1965, número de série 171.

Cuidado com o DEIC.   

Boa sorte e bons timbres!
 
Na próxima aula  ensinaremos as diferenças entre “crafted in” e “made in” e  sobre os motivos que levaram grandes marcas como Fender e Gibson a criar e manter tais “atelieres  personalizados”.

Também falaremos os motivos de o Brasil nunca ter revelado ao mundo um grande gênio da guitarra,  mas adianto: somos filhos do milagre industrial da revolução…Geração Gianinni.

 Aff! Que bosta!

 

Este blog nasce com a intenção de abordar humoristicamente  o mundo dos guitarristas, sejam fudidões ou fudidos. É certo existirem milhares de blogues acerca de guitarras, guitarristas , equipamentos , luthiers e tudo mais que se refere ao instrumento que representava, anos atrás, uma cultura musical peculiar que expressava o estilo de vida de uns poucos  malucos sonhadores.  Atualmente, no Brasil,  há um guitarrista em cada esquina. E centenas de guitarras – especialmente  “orientais” –  para todos os tipos de gosto e bolso. Existem centenas de excelentes músicos tocadores de guitarra, mas nem sequer único herói da guitarra. Muita gente exibe conhecimento musical e tecnica exuberantes. Há professores de todos os estilos: Pop, Rock, Blues e Jazz. Entretanto, tal como os instrumentos, tudo parece ser feito em série. Tudo muito parecido; a gente nunca sabe a diferença. Bandas de guitarra virou coisa de Tiozão bebum. O “Metal” brasileiro está morto e sepultado como o Sepultura. Bluseiro brasileiro toca por partitura. O instrumental guitarrístico quando não é irritante é enfadonho ou as duas coisas. 

E os Titãs atualmente poderiam ser a banda de apoio do Roberto Carlos.  

O comércio de instrumentos é direcionado para dois grandes grupos de consumidores: as tribos do gospel ( que compra qualquer porcaria,  paga direitinho e não enche o saco dos comerciantes ) e os aficionados compradores de instrumentos “top de linha” , representados por profissionais endinheirados de diversas áreas e afortunados filhos de gente abastada.

Enfim, os guitarreiros brasileiros ( os verdadeiros criadores ) sucumbiram com o aparecimento das Guitar Player, Guitar Cover, tablaturas, vídeo-aulas e não sei mais o quê.

Surgindo os novos “guitar hero”  MADE IN BRASIL :  Júnior ( irmão da Sandy ) , Felipe Dylon e Chimbinha ( Banda Calypso).

Eta G3 Motherfucker!