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Monthly Archives: abril 2015

TOP 10
LANNY ONDE, LANNY QUAL?

Por Roberto Iwai


Uma exposição dedicada à Tropicália em Londres vai reunir pela primeira vez em 33 anos no mesmo palco os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista, do grupo Mutantes.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo centro cultural Barbican, que está promovendo a mostra sobre a Tropicália.

Outra atração vai ser o show de Gal Costa, no dia 28 de abril. Vai ser a primeira vez em 30 anos que ela se apresenta com dois músicos que tiveram grande destaque nos seus primeiros álbuns: o guitarrista Lanny Gordin e o baterista Tuti Moreno.

Fonte: BBC Brasil


E no Brasil? Nada? Que vergonha…

Top 10 para conhecer Lanny Gordin. Seus momentos mais efervescentes e suas participações mais anônimas.


10. Anamaria e Mauricio – No, No, No, Estamos Na Nossa
(No, No, No… Estamos Na Nossa/1970)

Lanny é recrutado para participar deste disco de Anamaria e Mauricio, com sonoridade mista entre bossa nova e soul. Nesta canção prá frente da dupla, Gordin utiliza, para variar, seu belo lado jazzy, mas não sem soltar acordes que teimam duelar mais incomuns do que a levada de piano bêbada do Jongo Trio, banda que acompanha o disco. Claro que não resiste e mete um fuzz bem no finalzinho da faixa.

09. Tom Zé – Irene
(compacto/1971)

Em 1969, Lanny já havia registrado a versão original de “Irene” de Caetano Veloso com o próprio. Lá, era qualquer alegria de sol de Salvador mesclado com a melancolia movida pelo exílio de Veloso e Gil. Em 1971 não. Acompanhado pelas idéias de Rogério Duprat e Tom Zé, como o piano preparado (piano com pedaços de borracha em meio a suas cordas para obter som percussivo, baseado nas idéias de John Cage), Gordin registra uma selvagem guitarra em meio a um dos instrumentais mais densos que Tom Zé já gravara em sua vida (com acompanhamento dos Beatniks). Somado à interpretação doentia de Zé, a risada de Irene acaba se transmutando em um lindo ato psicótico.

08. Gilberto Gil – Back In Bahia
(Expresso 2222/1972)

Ao lado de Gilberto Gil, Lanny Gordin registrou muitos dos seus mais intensos solos, passagens e riffs em 1969, vertendo a hard-psychedelia em tropicalismo desencadeado. Em 1972, com o retorno de Gil ao Brasil após o exílio, o cantor chama Gordin para registrar novamente todas as guitarras, dessa vez no disco Expresso 2222. “Back In Bahia” é um dos maiores sucessos de Gil, freqüentemente usado em alguma trilha sonora sobre os anos 70 ou sobre a Bahia. É Lanny Gordin no inconsciente dos que desconhecem.

07. Tim Maia – Paz
(compacto/1971)

Sim, Lanny já gravou com o gordo que mais adorava um bauret e os técnicos de som desse país. É curioso ver Gordin em uma roupagem mais convencional, atrás da voz de Maia e de uma bruta orquestração digna de música ambiente de novela. Mas toda a linha mais inclinada para o jazz de Lanny estava lá, aparecendo vez e outra.

06. Brazilian Octopus – As Borboletas
(Brazilian Octopus/1969)

A bela banda de Hermeto Pascoal e cia. se inicia em um suave clima jazz, até o harmônico wah-wah de Lanny adentrar a canção quase como um deboche musical. Apesar de curto, é um dos momentos mais poéticos da guitarra de Lanny Gordin, servindo como uma textura ácida em meio ao pano de fundo suave da canção.

05. Caetano Veloso – De Cara/Eu Quero Essa Mulher
(Araçá Azul/1972)

O disco onde Caetano Veloso queria provar ao mundo que poderia seguir viagem sem o auxílio de Lanny. Abusando de poesia concreta e colagens de som, o maior momento do disco mesmo é a única faixa onde Gordin participa. Uma das suas raras composições, “De Cara” traz o guitarrista imerso e voando pesado no instrumental de Tuti Moreno (bateria) e Moacyr Albuquerque (baixo), até Veloso espivetar na versão de “Eu Quero Essa Mulher”, de Monsueto. Essa música marca o triste fim das participações de Gordin com os tropicalistas.

04. Jards Macalé – Favela
(O Q Eu Faço é Música/1998)

Em 1972 Lanny registrava todos os violões e baixos do disco de estréia de Macalé. Quase três décadas depois, Gordin mostrava que ainda continuava vivo, ignorando os contratempos e o esquecimento. “Favela” é um bonito samba das antigas, com um piano denso e a voz cavernosa de Jards. Lanny entra no meio da faixa, mais estridente do que nunca. Retorno nos anos 90 que iria culminar nos belos trabalhos que Lanny lançaria em 2004, ao lado do Projeto Alfa.

03. Suely & Os Kantikus – Esperanto
(compacto/1968)

Um dos momentos mais radicais de Lanny, com alta guitarra fuzz. Corrompendo a letra surreal de Richard Carasso e a suave voz de Suely Chagas, Gordin usa um simples conjunto de acordes para expressar uma das pedradas mais bem resolvidas do obscuro beat garageiro nacional.

02. Rita Lee – Eu Vou Me Salvar
(Build Up/1970)

Neste disco, o primeiro solo de Rita Lee, a banda toda parece estar tocando por pura diversão. Musicando receitas culinárias, emulando temas havaianos e de bordel, e endiabrando Beatles. “Eu Vou Me Salvar” é o total desbunde disso tudo, fechando o disco com um mantra (“Eu vou me salvar/Vou pegar as leis do todo poderoso/E pra sempre cantar/Aleluia”), naquele religiosidade peralta que Os Mutantes sempre tiveram. Lanny inicia acompanhando os agudos de Rita com sua guitarra, descambando para um belo solo e emendando com um emaranhado de sons tirados do instrumento como se estivesse reclamando como um velho caduco em um baião perneta.

01. Gal Costa – Deixa Sangrar
(Legal/1970)

Carnaval, só se for com Lanny Gordin. Essa marchinha seria algo bem característico das afetações carnavalescas de Caetano Veloso, caso não fosse a guitarra de Gordin. Em um de seus momentos mais à vontade, Lanny registra tensões prazerosas lisérgicas. Em uma guitarra, marca a levada saltitante, e na outra, estoura as barreiras de qualquer outro som estridente, que se torna pura bobagem. Fuzz e wah-wah resmungam por absolutamente toda a faixa, onde guitarra se torna em muitas e muitas vezes mais alta do que tudo tocado na música. Vide o momento dos 57 segundos da mesma. No final, Lanny começa a imitar patos em alguma discussão cujo tema aqui não importa...

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